90 Anos, 90 Palavras (28)

Morte

No seu fabuloso romance “As Intermitências da Morte”, José Saramago estabelece uma luta entre o protagonista, um músico, e a morte, que para derrotá-lo e fazê-lo desaparecer veste a sua figura de mulher. E aí se engana, porque no duelo que entre ambos se produz acabam por enamorar-se e fazem amor como o homem e a mulher que eram e “no dia seguinte ninguém morreu”. É pena que este final magnífico, que poderia entender-se como cheio de esperança, esteja previamente desenvolvido no romance e, portanto, saibamos que não é bom: temos de morrer porque a eterna existência seria insuportável. Nem os indivíduos, a sociedade, os países aguentariam um mundo que envelhece e não termina. Sábio Saramago, que com as suas parábolas cheias de compaixão, como disse a Academia Nobel, não falha e nos descreve tão certeiramente.

María del Mar Ibáñez
Professora, leitora de José Saramago
Madrid
(Via email)

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