90 Anos, 90 Palavras (5)

Casa

Os livros que nos deixou são casas com as janelas abertas onde deu ao mundo as histórias de que mais fazia caso. Podemos ficar nelas, ir aos seus jardins, percorrer os caminhos que nos levam até elas. Casas tão diferentes, seja o barco e a mulher da limpeza do homem que queria um barco, seja a Lisboa do revisor Raimundo Silva ou a que o cão Achado encontrou em Cipriano e Marta – e aquela Casa onde viveu permanece e atrai, porque «olharem-se era a casa de ambos», diz de Baltasar e Blimunda. Saramago fica-nos como uma casa onde habita a língua portuguesa em restauro em face a mundo que precisa de conserto.

Tiago Aires

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