90 Anos, 90 Palavras (50)

Asas

Encontrei na leitura de Saramago um alimento para a alma que sempre procurei, um preenchimento para o vazio que tantas vezes invade a existência humana. Foi amor à primeira vista quando li “Todos os Nomes”. As evidências labirínticas lá são alucinantes, cada disposição dos objetos é descrita de maneira tão peculiar que nos transfere para o mundo saramaguiano inconscientemente a ponto de sentir receio e inquietação junto ao Sr. José. O labirinto simbolizando a vida, a busca incessante do personagem principal pela mulher desconhecida representando a busca que temos por nós mesmos, pelo nosso íntimo. Sua literatura é para ser refletida, para ser sentida, para criar “desassossego” como ele próprio já tinha pontuado. A frase mais fantástica com a qual me deparei em seus romances e me faz refletir todos os dias é que “O espírito não vai a lado nenhum sem as pernas do corpo, e o corpo não seria capaz de mover-se se lhe faltassem as asas do espírito”.

Renata Santana

Professora da Literatura e mestranda

Maringá

Paraná

Brasil

(enviada pelo facebook)

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