90 Anos, 90 Palavras (75)

Orquestra

As intermitências da morte: “…a vida é uma orquestra que sempre está tocando, afinada, desafinada…”

Como bom melómano, Saramago conhecia o funcionamento e a organização de uma orquestra e daí a força da sua metáfora. Metáfora da vida e da sociedade, com as suas ordens e hierarquias, os seus indivíduos e grupos, os seus chefes, subchefes e ajudantes dos subchefes. E os tutti, a tropa. A infantaria,  como diria Pérez-Reverte. A orquestra como o somatório das consciências submetidas às vontades individuais, e todas elas submetidas à vontade e à autoridade de um indivíduo, um xamã que ordena e dispõe. Concerta. Reprime? Questão de pontos de vista. O xamã junta esforços sobrepondo o coletivo ao indivíduo. O indivíduo apaga-se na homogeneidade, não se destaca, esfuma-se no todo, entrega a sua singularidade ao bem comum. Voluntariamente ou à força. Mas todos finalmente no mesmo barco, com o mesmo destino e a mesma sorte. E não pode negar-se que é quando todos e cada um estão em harmonia consigo mesmos, com os demais e com o conjunto, quando todos são realmente um, que se produz o milagre da música, a perfeição da convivência.

Carlos Magán

Artistmanagement

ACM Concerts

Granada, Espanha

(recebido por email)

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