Antonio Tabucchi

A morte do escritor italiano e português Antonio Tabucchi representa uma perda para a cultura europeia. À qualidade das suas obras de ficção, tantas surgidas da sua relação com Portugal, há que acrescentar a sua posição de analista político e social, intransigente na defesa das conquistas democráticas. Este defesa de direitos, como o da liberdade de expressão, levou-o a manter fortes confrontos com Silvio Berlusconi e com o aparelho político italiano. O presidente do Senado italiano chegou mesmo a processá-lo. Por este confronto, e por intermédio do editor francês Gallimard, Antonio Tabucchi recebeu a solidariedade de personalidades da cultura de todo o mundo, entre as quais José Saramago.

Dizia este manifesto:

As democracias necessitam de indivíduos livres, valentes, indisciplinados, criativos. Que se atrevam, que provoquem, que incomodem. A liberdade da escrita é indissociável da ideia de democracia. Entre os subscritores encontravam-se os nomes do filósofo espanhol Fernando Savater, dos escritores Enrique Vila-Matas, Philip Roth e Antonio Muñoz Molina ou do editor Jorge Herralde, entre muitos outros.

A Fundação José Saramago expressa o seu pesar aos leitores e amigos do escritor e envia um abraço à sua companheira, a professora Maria José Lancastre.

No dia 2 de Abril, a Casa Fernando Pessoa presta homenagem a Antonio Tabucchi com uma maratona de leitura integral do “Requiem”, a única obra que o autor escreveu em português. É a partir das 10h30m e a entrada é livre. A leitura será gravada para que esteja disponível para os invisuais.

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Morreu Tabucchi, o escritor italiano que escolheu Portugal
(Público)

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Morreu o escritor Antonio Tabucchi
(Diário de Notícias)

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Fallece el escritor italiano Antonio Tabucchi a los 68 años en Lisboa
(El País)

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Antonio Tabucchi, el heterónimo italiano de Pessoa
(El Cultural)

Sabía Antonio Tabucchi que los años se le iban echando encima con intenciones poco halagüeñas. Sabía que una enfermedad llamada cáncer lo quería arrancar de entre los vivos hacia un destino incierto. Lo sabía y le daba pena. No volver a caminar sobre las calles empedradas de teselas de Lisboa era muy duro de asumir. Renunciar a los cigarros (los fumaba con delectación), a los cafés humeantes, a las conversaciones, a leer a Pessoa, a reunirse con sus alumnos en la Universidad de Siena… Era una perspectiva que le dolía demasiado durante su convalecencia en el Hospital Cruz Vermelha de Lisboa.

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