Artistas unem-se contra a utilização de música como prática de tortura

De acordo com o “Washington Post”, uma aliança formada por vários grupos como os R.E.M., Pearl Jam e Bruce Springsteen, tem como objectivo pressionar o governo norte-americano a divulgar as músicas utilizadas na prisão cubana desde 2002.

Apoiados pelo Arquivo Nacional de Segurança – instituto de investigação independente de Washington –, os músicos lançaram um protesto para, por um lado, acabar com a tortura e, por outro, a música como um dos métodos utilizados.

fjsUma professora de música da Universidade de Nova Iorque explicou que o “som a um certo volume simplesmente impede as pessoas de pensar”. Suzanne G. Cusick estudou o uso da música como instrumento de tortura e garantiu que a “eficácia [da tortura] depende da constância do som, não da qualidade da música”.

Não é isso, porém, que está em causa (a qualidade da música), apenas o facto de esta ter sido usada. Uma das declarações mais violentas é a de Tom Morello, antigo guitarrista da banda Rage Against The Machine, grupo conhecido por uma forte carga de contestação política e que até já actuou ao vivo vestida como os prisioneiros de Guantánamo.

“O facto de a música que eu ajudei a criar ter sido utilizada em crimes contra a humanidade enoja-me”, afirmou Morello em comunicado, apelando também ao fecho da prisão: “Precisamos de acabar com a tortura e fechar Guantánamo agora”.

Também Rosanne Cash, filha do cantor de country Johnny Cash, mostrou a sua indignação e se juntou à causa, apelando à união da comunidade musical em geral. “Penso que todos os músicos deviam estar envolvidos [no protesto]. Parece óbvio. A música nunca devia ter sido usada como tortura”, disse Cash, confessando que “até é complicado pensar nisso”.

Os músicos uniram-se e formaram a Campanha Nacional para Fechar Guantánamo, liderados por Tom Andrews, um antigo congressista de Maine.

De acordo com o jornal americano, um porta-voz da Casa Branca garantiu que a música deixou de ser um instrumento de tortura logo após o início da presidência de Obama.

Já esta semana ficou a saber-se que nas Honduras uma situação semelhante se tem verificado, através da emissão ininterrupta de grandes volumes de som junto à Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra o Presidente deposto Manuel Zelaya. Uma manobra que pretende que o Presidente e os seus acompanhantes sejam privados do sono, o que constitui uma forma de tortura violenta. Já em manifestações que tiveram lugar na capital, o mesmo sistema foi utilizado para impedir a progressão dos manifestantes. 

Fonte: Público

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