Barack Obama, Prémio Nobel da Paz 2009

fjs“pelo seu extraordinário esforço para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”

A Academia Nobel justificou desta forma a atribuição do Prémio Nobel da Paz 2009, acrescentando que, com Obama, surgiu um novo clima na política internacional. A diplomacia multilateral retomou um papel central, com um destaque para o papel que as Nações Unidas e outras instituições internacionais podem vir a desempenhar. O diálogo e a negociação são hoje vistos como instrumentos fundamentais os mais difíceis conflitos mundiais. A visão de um mundo livre de armas nucleares estimulou fortemente o desarmamento e as negociações para o controlo do armamento, pode ler-se no press-release. 

N’O Caderno, José Saramago reagiu à notícia com as seguintes palavras:

Falou-se muito de Barack Obama neste blog, alguns dirão que demasiado. Quando uma esperança nasce há que saudá-la conforme o seu merecimento, e este parecia não ter limites.

É possível que comece a dizer-se que o Prémio Nobel da Paz foi prematuro, mas não o é se o tomarmos como um investimento… 

Graças a ele talvez Obama ganhe ainda maior consciência de quanto o necessitamos. 

José Saramago

No dia de hoje, recuperamos o texto publicado a 20 de Janeiro no mesmo espaço:

Donde? 

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.  

Barack Obama, Prémio Nobel da Paz 2009

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