Brasil relembra Saramago – Estreia mundial de “José & Pilar” no Rio de Janeiro

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A cidade do Rio de Janeiro recebe no dia 25 de Setembro, em estreia mundial, o filme José & Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes. A exibição integra a programação do Festival de Cinema do Rio de Janeiro e contará com a presença de Pilar del Río e de Miguel Gonçalves Mendes. 

Local e horário da sessão

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‘José e Pilar’, que mostra a intimidade de Saramago escritor e sua mulher,
Pilar del Río, tem estreia mundial no Festival do Rio

(Jornal O Globo

RIO – Para pelo menos uma pessoa, e certamente uma pessoa que sabe bem do que está falando, o Festival do Rio deste ano poderia se chamar Festival José Saramago. A comparação é feita pela jornalista espanhola Pilar del Río e poderá ser comprovada neste sábado, na primeira exibição mundial do documentário “José & Pilar”, do português Miguel Gonçalves Mendes. O filme é o retrato mais íntimo já feito do escritor português, morto em junho, aos 87 anos. Viúva de Saramago, Pilar acompanhou o cineasta até o Rio para a sessão de gala do filme, neste sábado, às 19h, no Espaço de Cinema, em Botafogo (também há uma exibição marcada para as 14h30m, no mesmo local).

O documentário segue de perto quatro anos da vida do casal. Sua primeira metade mostra como Saramago e Pilar construíram uma relação de parceria afetiva e profissional: pelas lentes de Mendes, os espectadores veem tanto os dois conversando no café da manhã quanto viajando para as várias conferências para as quais o escritor, prêmio Nobel de Literatura em 1998, era convidado.

Já na segunda metade do filme, o foco são os problemas de saúde pelos quais Saramago passou em 2007 e 2008. Pilar sempre esteve próxima a ele, e sempre se manteve confiante em sua recuperação. De fato, o escritor melhorou, terminou o romance “A viagem do elefante” (o filme acompanha o processo de escrita do livro), escreveu o romance “Caim” e ainda começou um outro livro, “Alabardas, alabardas! Espingardas, espingardas!”, este inacabado. Vendo-se o documentário agora, após a morte de Saramago, pode-se interpretá-lo como a afirmação de um amor em sua primeira parte e como uma espécie de despedida deste amor na segunda.

– As pessoas vão se lembrar deste Festival do Rio como o festival do Saramago. Ninguém que se senta para assistir ao filme sai dele da mesma forma – disse Pilar, em entrevista num hotel carioca. – Não há outras personalidades do século XX com a capacidade de penetração que o Saramago tinha e que toparam abrir sua casa e compartilhar sua intimidade do jeito que ele fez para este filme. Ele não se ocultou em momento algum…

– Não só ele. A Pilar também não se ocultou – acrescentou Mendes.

Pilar e o diretor falam um do outro com o carinho adquirido nos anos recentes de proximidade. Ela e Saramago passaram a tratar Mendes como um integrante da família e, por isso, o cineasta conseguiu estar presente em situações tão sinceras quanto uma discussão na frente de amigos sobre qual era o melhor candidato nas eleições americanas – ela defendia Hillary Clinton; ele, Barack Obama – ou a cerimônia de casamento que o casal promoveu depois de cerca de 20 anos junto.

– O Saramago tinha gostado do documentário que fiz sobre o poeta português Mário Cesariny (“Autografia”). Mas ele também ficou reticente em relação a fazer um filme sobre ele, por acreditar que não teria coisas tão interessantes a dizer quanto o Cesariny. Depois, aceitou – lembra Mendes. – Minha primeira ideia era fazer um filme baseado em entrevistas, mas acabei percebendo que já existem muitos documentos sobre o que Saramago tinha a dizer. Então construí um documentário com uma narrativa, uma história sobre eles. Eu fico muito contente quando as pessoas dizem que meu filme nem parece documentário.

Para a sessão de gala deste sábado, Mendes vai usar uma gravata que pertencia ao próprio Saramago, um presente de Pilar como agradecimento ao diretor. No convívio entre eles, apenas uma vez Mendes foi impedido de filmar. Quando Saramago estava no hospital, o cineasta foi visitá-lo e ouviu sobre alguns sonhos que ele havia tido. O diretor, então, perguntou a Pilar se poderia registrar as declarações pelo menos em áudio, mas a jornalista proibiu.

– Ele também queria filmar o Saramago nu, mas a gente não deixou – brinca Pilar. – O Saramago era muito generoso. Ele nunca se negava a dar um autógrafo ou posar para uma foto. Era uma personalidade forte. Nunca estava cansado para nada e tinha muita curiosidade sobre o mundo. Eu vivi em função da obra dele e continuo vivendo. As pessoas não convivem durante anos e, de uma hora para a outra, deixam de existir. Ele está incorporado em mim.

Depois do Festival do Rio, “José & Pilar” será exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro, e deverá chegar ao circuito brasileiro apenas em novembro. Em Portugal, abrirá o Festival Doc Lisboa no dia 14 de Outubro e sua estreia está marcada para 16 de novembro, data do aniversário de Saramago.

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Documental de Saramago brinda un viaje vital y literario con el Nobel portugués
(Agencia EFE)

Río de Janeiro, 25 sep (EFE).- El documental “José & Pilar”, que se estrenó hoy en el Festival de cine de Río de Janeiro, traza un retrato alegre y vital sobre el Nobel portugués José Saramago y su mujer, la española Pilar del Río, que asistió a la proyección.

La cinta, dirigida por el portugués Miguel Gonçalves Mendes, retrata a la pareja en una travesía literaria y vital, desde comienzos de 2006 hasta finales de 2008, que abarca todo el proceso creativo, la elaboración y el lanzamiento de la novela “El viaje del elefante”.

La redacción de la novela y las rutinas cotidianas del autor se entrelazan y se funden en una sinestesia que, a su vez, sirve al espectador de metáfora y reflexión sobre los grandes temas de la existencia, como la vida, la muerte, Dios -o su inexistencia-, el amor y la literatura.

Un Saramago honesto, cabal y desprovisto de pompa repasa ante la cámara su ideario existencialista, su descrédito a la religiosidad, siempre con un sentido del humor sarcástico que roza, a veces, lo desgarrador.

“A los 83 años sería bueno comenzar a pensar en el futuro, en pensar en lo que se dice”, dice irónico Saramago, riéndose de la inminencia de la muerte, que le llegó en junio de este año, y de la amenaza a sufrir una hipotética venganza divina por su ateísmo recalcitrante.

Junto a un Saramago de una racionalidad superlativa se presenta a su esposa, la periodista Pilar del Río, quien se convierte en su traductora, su secretaria, su compañera de viajes y de batallas y también, en una suerte de “Sancho Panza” que lo conecta con la faz más terrenal del mundo.

“Yo tengo las ideas para las novelas, ella las tiene para la vida, no sé qué es más importante”, así resumió Saramago su relación con su mujer, en otro momento inolvidable ante la cámara.

Del Río replicó, con la energía que la caracteriza, que “claro que la vida es más importante” que las novelas, algo que Saramago no tenía tan claro, puesto que cuando tuvo que ser hospitalizado por una grave afección pulmonar dijo que lo que más le atemorizaba era “no acabar el libro”.

“El viaje del elefante”, en sí una metáfora sobre la vida, se impregna de la propia experiencia del narrador portugués que, a lo largo del documental, lucha contra la muerte, apoyado siempre en el hombro de Pilar.

Saramago explica que en esta novela relata la aventura de un elefante obligado a emprender un largo periplo “sin sentido” de Lisboa a Austria atravesando los Alpes, al final del cual le espera un destino todavía más irracional si cabe.

Se entabla un paralelismo con los muchos viajes agotadores de la pareja por España, Portugal, Finlandia, México o Brasil y los contactos aún más tediosos con periodistas repetitivos en sus preguntas y algunos admiradores que rozan lo ridículo, al pedirle al Nobel hasta que dibuje un hipopótamo en una dedicatoria.

“José & Pilar” recoge la amarga crítica de la periodista Del Río a sus compañeros de profesión por tener preparado el obituario del Nobel en 2008 y también, la dejadez y el olvido del Gobierno portugués para su literato más ilustre de las últimas décadas.

Pero el tono que guía la película es el humor, con instantes de hilaridad, que se desprende de los propios protagonistas y también de la cámara del director, que rompe el hielo de momentos trascendentales con juegos de cámaras.

En un momento de gran calor humano, se muestra a Saramago concentrado frente a su ordenador portátil, aparentemente enfrascado en la labor de creación literaria, pero en un contraplano Mendes lo descubre jugando a un solitario.

La visión de este Saramago humilde y cotidiano queda enmarcado por la escenografía grandiosa de los paisajes volcánicos de la isla de Lanzarote, su casa desde 1991, que como todo el filme aparece recogida con suma delicadeza por el objetivo de Mendes.

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Plateia comovida com reflexões de Saramago
(Jornal O Globo

Uma das produções mais concorridas do recém-iniciado Festival do Rio 2010, o documentário “José & Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes, estreou agora na maratona cinéfila carioca, numa sessão que abarrotou o Espaço de Cinema. Centrado na relação entre o escritor português José Saramago e sua mulher, a jornalista espanhola Pilar Del Rio, foi aplaudido várias vezes durante a projeção, cercada de gargalhadas da plateia. Ao fim do filme, vários espectadores saíram da sala aos prantos, comovidos com as reflexões de Saramago sobre velhice e morte.

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O Globo / UOL Cinema / Revista Veja / G1 / IG
(Clicar no nome de cada publicação para abrir o documento em pdf)

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Festival do Rio: Fernando Meirelles, Miguel Gonçalves Mendes e Pilar del Río falam sobre o filme José & Pilar

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Vi o amor em José & Pilar

Minha segunda incursão no Festival do Rio foi bem melhor do que a primeira. Fui assistir José & Pilar, documentário que mostra o relacionamento do português JOsé Saramago, prêmio Nobel de Literatura, com a jornalista e ativista espanhola Pilar del Río. E as primeiras impressões acontecerem mesmo antes de começar a ser projetado: 160 pessoas na sala (aliás, belo lugar o Cine Glória) entre senhorinhas, jovens moderninhos, filósofos, patricinhas e gente normal que nem eu (ou não). Achei a frequencia bem eclética, o que nos dá uma pista sobre a abrangência da obra do Saramago, as boas críticas que vem tendo e a qualidade do filme em si.

(clicar no título para ler a crítica)

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“É preciso rever conceito de democracia”, diz mulher de Saramago

A primeira exibição do documentário José & Pilar foi de longe uma das sessões mais emotivas do Festival do Rio este ano ano. O filme é de Miguel Gonçales Mendes, jovem diretor, sobre essa entidade única que foi e ainda é o escritor José Saramago e a jornalista Pilar Del Río. Os aplausos se demoraram enquanto algumas lágrimas caiam discretas, emudecidas por uma estranha sensação de familiaridade com os protagonistas daquela que é, sobretudo, uma história de amor.
A lembrar que o documentário estará na Mostra de São Paulo, que começa no dia 23 outubro.

Saramago, escritor português que morreu no último dia 18 de junho deste ano, até hoje é apresentado com o subtítulo “Nobel de literatura da língua portuguesa”. Pilar, jornalista espanhola que por mais de 20 anos foi casada com Saramago, vive intensamente o presente de divulgar a obra do escritor a partir da Fundação José Saramago. Ambos ateus, comunistas e fundamentalmente preocupados com questões dos direitos humanos. Numa entrevista exclusiva ao Terra, a mulher que no filme se mostra como uma parte indissociável do autor com quem dividia os pensamentos, conversa sobre os bastidores da filmagem, “Joselito”, trocas e, claro, políticas.

(clicar no título para ler a entrevista)

 

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