“Caim” de José Saramago retirado da lista final do Prémio Portugal Telecom 2010

fjsQuando José Saramago recebeu o Prémio Nobel anunciou que não voltaria a aceitar nenhuma outra distinção literária porque são muitos os escritores que merecem prémios e poucos os prémios para distingui-los. Esta atitude, a de partilhar com os seus pares o prazer do reconhecimento, manteve-a em todo o mundo com a disciplina e a honestidade que sempre o caracterizaram. Soube um dia, no entanto, que o seu último livro, “Caim”, havia sido apresentado ao Prémio Portugal Telecom. Perante este facto, anunciou que, no caso de ganhar, o valor do Prémio teria como destino a Fundação José Saramago, que tem como objectivos a difusão da Literatura em português no mundo e, sobretudo, que os Direitos Humanos não sejam uma declaração retórica mas sim um programa de governo. Assim o disse, assim ficou estabelecido.

Mas a morte interrompeu a cadeia lógica da vida. Tendo desaparecido José Saramago, a sua Fundação decidiu que o prémio deve ir para um autor vivo e, de comum acordo com a sua editora, a Companhia das Letras, foi tomada a decisão de retirar o livro “Caim” de entre os dez finalistas. Um escritor com presente e futuro ganhará o Prémio Portugal Telecom no ano de 2010. Não será José Saramago, que pertence já à nossa memória, às nossas bibliotecas, aos nossos corações.

A Fundação José Saramago felicita desde já o futuro vencedor do Prémio Portugal Telecom 2010 e deseja-lhe uma vida tão fecunda, tão humanamente rica e criativa, tão bem-amada como foi a de José Saramago.

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