Cartas à Fundação IV

eu nem sei bem como começar isso – nem sei bem porque escrevo ou se você vai ler ou mesmo se digitei o e-mail corretamente. Hoje, terminei de ler “A viagem do Elefante”, e senti como se precisasse falar a alguém sobre Saramago. Você sabe, aquele livro que você termina e, como diria Holden Caulfield em “O Apanhador no campo de Centeio”, tem vontade de ligar para o autor e conversar por horas a fio. Eu sei que é meio sem noção, mas toda vez que penso no José, duas sensações se sobressaem às demais – doçura e saudade. Saudade por saber que novas letras, com a exceção de “Clarabóia”, que já comprei e pretendo ler logo, não surgirão por parte dessa pessoa maravilhosa (que era, é e provavelmente enquanto eu viver será meu exemplo de vida). E doçura porque as que ficam estarão sempre aqui e ele, nos nossos corações. Escrevo por isso e para te dizer, Pilar, que você é linda – de aparência e de alma. Tenho essa mania de falar que as pessoas são lindas me referindo também a alma, sabe. Estranho, eu sei.

Ai, perdoa se eu estiver sendo meio idiota. Eu tenho 14 anos, sabe, acho que nessa idade ainda se pode ser meio idiota e escrever e-mails (ainda acho cartas dez vezes mais lindas) quando se quer compartilhar um sentimento. Sabe, eu quero ser escritora desde que eu tinha seis anos; talvez por isso escrever – e, no caso, endereçar a alguém – faça com que eu me sinta bem. Por isso, termino essa “carta” dizendo: obrigada por ler, se é que você leu. E, caso algum dia queira vir ao Brasil (por conta do José ou própria), seja bem-vinda.

Sua,

Nina (:

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