César Ramalho

Caro José Saramago,

Desde muito novo que os seus livros têm sido para mim uma enorme fonte de prazer. Este Domingo lí o seu excelente Caím que a acrescer à belissima prosa, tal como o anterior, tem uma frescura que não deixa de me impressionar. É fantástico ver a sua boa forma na sua idade e depois dos seus problemas de saúde.

Ao contrário da maior parte das opiniões que vi e ouvi, não me parece que o livro seja excessivo, muito pelo contrário. A sua fina ironia é sempre bem enquadrada e quem se sente ofendido é porque lê o que lá não está.

Deixe-me, também, felicitá-lo pela forma digna e firme como tem defendido as suas posições. Já é tempo de deitar abaixo alguns tabús anacrónicos e incompatíveis com um país civilizado do século XXI. A religião não pode continuar a ser uma área tabu. A que propósito é que a religião não pode ser criticada? Como dizia o outro: “Respeito-te a ti mas não às tuas ideias”.

Um grande abraço do seu admirador

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