Cineasta Fernando Lopes morreu em Lisboa

“O Fio do Horizonte”, realizado em 1993 a partir da obra homónima do escritor italiano Antonio Tabucchi, era o filme preferido do cineasta Fernando Lopes, que morreu em Lisboa a 2 de maio, aos 76 anos.

Já antes tinha adaptado ao cinema outras obras da literatura, com destaque para “Abelha na Chuva” (1972), de Carlos de Oliveira, “Crónica dos Bons Malandros” (1984) de Mário Zambujal, e mais tarde “O Delfim” (2002) de José Cardoso Pires. “Em Câmara Lenta”, que realizou quando estava já muito doente e a cuja estreia em março passado não assistiu, é uma alegoria da morte, num mergulho lento e profundo no mar.

Nascido em Maçãs de Dona Maria, em Alvaiázere, distrito de Leiria, em 1935, Fernando Lopes viveu com a avó em Ourém até aos 10 anos, idade em que a mãe foi viver com ele para Lisboa. Começou então a trabalhar como paquete e foi depois um dos jovens profissionais integrados no arranque da RTP, em meados dos anos 1950 – vinte anos mais tarde, chegou a diretor do Canal 2 da mesma empresa. Bolseiro na London School of Film Technic em 1959 e, mais tarde, estagiário em Hollywood, Fernando Lopes assinou uma marcante primeira obra sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso, “Belarmino”, em 1964.

Da sua obra, com mais de 50 filmes, destacam-se ainda “Nós por cá todos bem” (1976) – uma evocação da mãe, “Matar Saudades” (1988), “Lá Fora” 2004), “98 Octanas” (2006) e “Os Sorrisos do Destino” (2009).

“Em Câmara Lenta, protagonizado por Rui Morrison, é reposto no cinema Medeia King, em Lisboa, com uma sessão diária a partir do dia 10 de maio.

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