Dilma comove-se na posse da Comissão da Verdade

A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, comoveu-se ao falar, no dia 16 de maio, em Brasília, na tomada de posse dos sete elementos da Comissão da Verdade, que vai apurar dados concretos sobre os crimes da ditadura.

“A ignorância não é pacífica, pelo contrário, mantém latentes, mágoas e controles. A sombra e a mentira não são capazes de prover a concórdia”, disse Dilma com a voz embargada. “A força pode esconder a verdade, o medo pode adiá-la, mas o tempo pode trazê-la à luz. Hoje esse tempo chegou.

O representante das Nações Unidas, Américo Incalcaterra, destacou na cerimónia que o trabalho da comissão é “um passo essencial para curar as feridas do País” e que as investigações são “decisivas para impulsionar reformas de direitos humanos no futuro mas não substituem o julgamento dos crimes”.

José Carlos Dias, membro da Comissão da Verdade, destacou que “se bem conduzidos, os trabalhos representarão uma institucionalizada memória coletiva. Haveremos de encontrar um caminho próprio para oferecer à nação. Ela se dá bem tarde perto da data em que (os factos) ocorreram, mas acontecem depois de três presidentes que sofreram os abusos daquela época”, afirmou em referência à Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.

Na cerimónia estiveram presentes todos os ministros do governo de Dilma, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, familiares de desaparecidos políticos e militantes de direitos humanos. O grupo iniciou de imediato o trabalho de dois anos de investigação. De acordo com dados publicados no documento Direito à Memória e à Verdade, do governo brasileiro, são 150 casos de opositores do regime militar que, depois de presos ou sequestrados por agentes do Estado, desapareceram.

As detenções não foram registadas em nenhum tribunal ou prisão, os advogados não foram notificados e os familiares continuam à procura de esclarecimentos. A Comissão da Verdade não tem a tarefa de de julgar e punir. Assim como aconteceu com outros países como a Argentina e o Chile, o principal papel da comissão é abrir um espaço para dar voz às vítimas da ditadura e, a partir daí, encaminhar as informações para as autoridades competentes, como o Ministério Público e o poder judiciário.

Fonte: Estado de S. Paulo

 

Pin It on Pinterest

Share This