Façamos de 2011 um Ano Melhor

O ano de 2010 foi, para a Fundação José Saramago, o pior ano. Morreu a pessoa que era não apenas o fundador, mas também, e sobretudo o espírito que a animava. Morreu José Saramago, o homem bom com que nos podíamos encontrar em qualquer esquina de Portugal e do mundo e que tinha sempre uma palavra de alento, de consolo ou de santa ira: a que empregava contra os predadores, esses tipos com poder que se empenham em manter a escravatura e em inventar, inclusivamente, novas fórmulas de domínio sobre seres humanos que nasceram para ser livres e hegemónicos.

Morreu José Saramago e deixou-nos órfãos de pensamento criativo, valente, científico, poético. É verdade que nos ficam as palavras, mas as suas palavras e o seu exemplo não consolam nestes dias frios, o homem com quem nos encontrávamos nas ruas do mundo já não está e em que mau momento se foi, quando estava a escrever um livro necessário para um tempo onde a violência parece expandir-se como se fosse reinar de forma absoluta. José Saramago escrevia sobre as armas, as que nos podem matar, aquelas com que nos podemos converter em verdugos ou assassinos. Ou em cúmplices dos que ordenam as guerras que parece que se preparam ou não se acabam. “Alabardas, alabardas, espingardas, espingardas” é o título que José Saramago escrevia quando a morte, sem piedade, o levou neste ano que hoje se acaba.

É de esperar que o próximo seja melhor. Para a Fundação José Saramago pior não poderá ser. Em qualquer caso, e com o que aprendemos, continuaremos a trabalhar com o mesmo empenho. Os nossos sonhos são consistentes porque nascem de boa raiz. Ao contrário do que José Saramago escreveu no seu discurso do Nobel, quando disse que o autor foi seu aprendiz e mestres as suas personagens, nós, os aprendizes, sem sermos professores partilhamos a mesma e eleita estirpe de José Saramago e por isso seguiremos militando nas ideias e na fúria que a todos nos enobrecem porque tratam de tornar mais habitável este nosso mundo.

Façamos, entre todos, um Bom Ano de 2011. E permitam-nos uma fraqueza, despedir-nos deste terrível 2010 com imagens de José Saramago: no fundo, e apesar de tudo o que foi dito, nos nossos corações segue vivo e com o melhor dos seus sorrisos. Escolham uma, ou várias, guardem-na, contemplem-na, sejam mais felizes.

fjs

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