Geração à rasca vira movimento e agora quer uma assembleia popular

fjsOs fundadores do protesto geração à rasca em Lisboa – e mais outros que a eles se juntaram antes da manifestação que reuniu cerca de 300 mil pessoas por todo o país a 12 de Março – apresentaram ontem os objectivos do Movimento 12 de Março (M12M) numa conferência de imprensa informal, tal como tem sido a acção do grupo. À porta do cinema São Jorge, em Lisboa, nas escadas de acesso, os jovens voltaram a explicar que o movimento se caracteriza por ser “não hierárquico, laico e pacífico, um movimento que defende o reforço da democracia em todas as áreas da vida”. Segundo João Labrincha, de 27 anos, um dos quatro fundadores do protesto que começou com um apelo numa página do Facebook, o M12M vai começar por convocar “uma assembleia popular não deliberativa decorrente do ”Fórum das Gerações – 12/3 e o Futuro””.

A conferência de imprensa teve início com uma citação de José Saramago: “Quando dizemos que é um resultado importante viver em democracia, dizemos também que é um resultado mínimo, porque a partir daí começa a crescer o que verdadeiramente falta, que é a capacidade de intervenção do cidadão em todas as circunstâncias da vida pública. Ou seja, fazer de cada cidadão um político.” E é sob esse mesmo pretexto que o movimento surgiu. Depois da manifestação da geração à rasca “houve muitas pessoas que nos trataram como messias do activismo cívico”, explicou ao i Alexandre de Sousa Carvalho, 25 anos, outro dos fundadores e bolseiro de investigação em Ciência Política. “Não queremos subir ao palco, ou então o palco será de todos”, sublinha quando questionado sobre que atitude o grupo iria agora adoptar: “Se fosse agora para um partido político isso seria puro oportunismo, era aproveitar-me do mediatismo que tivemos para sair a ganhar”, respondeu quando confrontado com o facto de alguns partidos quererem aproveitar-se da capacidade de mobilização do lema “geração à rasca”.

Quanto ao panorama político nacional, Alexandre descreve-se a si e aos três colegas como “empreendedores sociais” e é claro na definição de papéis: “É um tabuleiro sem peões. Quando se introduzem peças no jogo, as regras mudam. E é isso que estamos a tentar fazer.”

Os fundadores do movimento dizem que têm outros projectos, também apresentados ontem, e que querem realizar em conjunto com outras associações, como a iniciativa legislativa dos cidadãos, uma proposta de lei contra a precariedade laboral, a Portugal Uncut, um ciclo de reflexões e debates subordinado ao tema “Aprofundamento da Democracia”, a Plataforma MayDay 2011 na celebração do Dia Internacional do Trabalhador, a auscultação dos vários partidos políticos e a promoção da necessidade de um debate sobre a importância de um referendo nacional acerca do pagamento da dívida soberana.

“Há alguma confusão entre aquilo que são os organizadores do protesto e o movimento”, explica Labrincha, o único desempregado entre os quatro fundadores: “As pessoas têm-se vindo a referir aos vários organizadores do protesto em cada cidade como fazendo parte de um movimento geração à rasca que nunca existiu”, sublinha, acrescentando que “estão a ser criados vários movimentos decorrentes de organizadores, ou não”.

Fonte: ionline.pt

Pin It on Pinterest

Share This