Inés Alves

Caro Saramago,

Não o conheço pessoalmente, mas até disso tenho pena. E começo precisamente por lhe dizer isto porque nos meus 23 anos de existência se há desejo que gostaria de ver concretizado seria, provavelmente, esse. Não por qualquer tipo de fanatismo irresponsável (próprio, talvez considere, de uma jovem da minha idade). Nada disso. Gostaria de conhecê-lo pelo simples facto de que me reconheço nas suas palavras e se há quem delas prefira colher controvérsia eu opto antes pelo ensinamento e sabedoria que elas me transmitem. Sou jornalista e, como tal, escrevo com frequência. Mas, para mim, há nitidamente dois tipos de escrita e eu revejo-me muito mais no segundo: o que realizo por iniciativa própria, sem pressão de tempo nem de espaço. Aquela que me permite abordar os temas que considero essenciais, os que me preocupam ou dos quais simplesmente me apetece falar. Admiro-o sobretudo porque, ao longo do meu amadurecimento, me ajudou (muito) a olhar para as palavras como expressões da alma e a utilizá-las de acordo com as nossas emoções, e certamente também com os nossos objectivos. Porque os temos sempre. Todo o escritor escreve com um propósito. Não conheço o seu mas sei que ele me permitiu crescer e, juntamente com outros factores contextuais, tornar-me o ser crítico que sou hoje e a pessoa atenta que me procuro manter. Ensinou-me, sem me ensinar, que é no pormenor que reside a diferença. Admiro, por isso, o pormenor com que se exprime e a sinceridade e humildade com que aborda as questões. Poder-lhe-ia dizer muito mais, mas convido-o antes a visitar o meu blog, onde escrevo um post dedicado exclusivamente a si e a toda a controvérsia que o seu novo livro tem gerado. Pode visitá-lo em http://avidaempalavras.blogs.sapo.pt. Lisonjar-me-ia muito obter de si algum feedback.
 
Agradeço-lhe o facto de existir e de ser quem é e o de permitir que, nós, leitores e cidadãos portugueses (e não só), tenhamos uma plataforma onde é possível comunicar consigo.

Cumprimentos

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