Irão suspendeu sentença de lapidação de Ashtiani

fjs

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, em declarações à televisão estatal iraniana em língua inglesa Press TV, avançou ainda que a suspensão se manterá enquanto as autoridades judiciais revêem o caso. “O veredicto referente às relações extra-matrimoniais foi suspenso e está a ser reanalisado”, afirmou Ramin Mehmanparast.

A sentença de morte contra Ashtiani, de 43 anos e há cinco detida na prisão de Tabriz, fora originalmente suspensa por meados de Julho, na esteira da enorme onda de críticas e de condenação internacional – desde as Nações Unidas ao Vaticano – que deixou Teerão a mãos com algum embaraçado. As autoridades iranianas disseram então que só voltariam a avaliar o caso no fim do Ramadão.

A decisão hoje anunciada surgiu apenas algumas horas depois de o Parlamento Europeu ter adoptado uma resolução reiterado as críticas à sentença de morte por lapidação e instando as autoridades de Teerão a reverem-na prontamente, garantindo ainda um julgamento justo de Sakineh Ashtiani. “Sejam quais forem os actos cometidos, uma condenação à morte por apedrejamento não é justificável nem aceitável”, diz o documento, que recebeu o voto positivo da quase totalidade dos deputados europeus (658, com apenas um voto contra e 22 abstenções).

Ashtiani foi condenada originalmente em 2006 por adultério, tendo então sido submetida a 99 chicotadas. Dois anos mais tarde, um outro tribunal, durante a análise de um outro caso, sentenciou-a à lapidação, com a arguida a manter desde sempre a sua inocência.

Depois de os primeiros protestos contra a sua condenação terem eclodido a nível internacional, em Julho deste ano, o regime de Teerão anunciou que a sentença foi pronunciada não pelo crime de adultério mas pelo de homicídio, sustentado que Ashtiani foi cúmplice na morte do marido. A televisão iraniana mostraria, já em Agosto, imagens em que a iraniana admitia o seu envolvimento no crime – mas cuja confissão é contestada por muitos, que a avaliam como tendo sido forçada.

Na semana passada, o filho de Ashtiani, Sajad Ghaderzade, denunciou que a mãe fora castigada de novo com 99 chicotadas, por alegadamente ter permitido a publicação de uma sua fotografia em que não envergava o hijab (lenço islâmico) – tendo cometido o crime de “difundir a corrupção e a indecência”. A imagem apareceu na edição de 28 de Agosto do diário britânico “Times” que, entretanto, pediu desculpa por ter publicado a fotografia de uma outra mulher e a ter erradamente identificado como sendo Ashtiani.

Um responsável da comissão dos direitos humanos iraniana – que funciona na dependência hierárquica das autoridades judiciárias no país – veio hoje negar o relato feito por Sajad Ghaderzade. Citado pela agência noticiosa iraniana Fars, Vahid Kazemzadeh garantiu ter-se encontrado hoje mesmo com Ashtiani, a qual lhe terá negado ter sofrido qualquer tortura ou maus-tratos. “Ela disse estar surpreendida com a publicação dessas informações”, afirmou o responsável.

Página de apoio à libertação de Sakineh Ashtiani

Fonte: publico.pt

Pin It on Pinterest

Share This