Isabel Castilho

Querido Saramago,

Li a sua Despedida e fiquei com saudades da visita diária, excepto ao Sábado e ao Domingo, ao seu blog. No dia 24, segunda-feira de Agosto, não escreveu – ou escreveu e, por qualquer motivo de ordem técnica, como é hábito dizer-se, não publicou – e fiquei entristecida e angustiada. Temi pela sua saúde. Agora, sei que está bem e a escrever outro livro, já a seguir a Caim, que, por simples existência a que estou votada pelo destino, só poderei ler em Outubro. Ao longo dos anos, desde sempre – não se ria! – tenho lido os seus livros. Pensei, tantas vezes, ele é capaz de escrever o que penso e sinto. Com segurança, respirando fundo, as palavras sempre desenharam imagens, produziram sons e cheiros, despoletaram ira, revolta, angústia, vergonha, e solidariedade, ternura, lágrimas, sorrisos, risos e esperança. Já reli todos. Releio excertos, porque a memória interrogada me obriga. Tenho memórias visuais – que parecem mesmo filmes – de acções e de personagens. Ricardo Reis ainda me faz franzir o sobrolho. Tenho memórias de palavras, frases, expressões próprias e de uso. Gosto muito de encanar a perna à rã, que me faz lembrar o meu pai que também a usava. Escreva muitos mais livros. Obrigada, José Saramago. Agradeço também a Pilar.

Isabel Castilho

Sintra, 02 de septiembre de 2009

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