José Duarte

Saramago.

Não a erva mas o nome, se bem que à erva me poderia dirigir também, não será a erva também digna de palavras e de emoções como o Walt Whitman tão bem o fazia? Bom, mas está claro que se me quisesse dirigir à erva não escreveria para aqui, como tal, dirijo-me sim a Saramago, o escritor. Desta forma subversiva inicio a carta, com esperança que afastando-me do convencional consiga prender-te, e que a mesma se destaque nas demais que recebes. Não por culpa tua, mas acredito que não deves ler todas, nem poderias, e mesmo lendo-as seria de uma incongruência não responder, e se a tal te dedicasses por certo nada mais farias e não poderias burilar as nossas perspectivas com os pertinentes textos do blog. Tenho 17 anos, chamo-me José Duarte, tenho um blog em www.jdmr.worpress.com. Há bem pouco tempo atrás, não mais de um ano, os teus escritos eram uma névoa de desconhecimento para mim, ouvia ocasionalmente o teu nome, mas nunca, sabe-se lá porquê procurei conhecer qualquer trabalho que seja com a rubrica José Saramago. Isso mudou com o Ensaio sobre a cegueira, não pela febre que o filme trouxe, li-o bem antes disso, logo a seguir vieram as Intermitências da morte, e deixa-me dizer-te que é uma notável prova de uma imaginação capaz de fazer voar qualquer passarola. Recentemente chegou-me o Memorial, pela disciplina de Língua Portuguesa, ainda não terminei, confesso, mas amo já Sete-Sóis quando acordo e Sete-Luas quando me deito. Tenho uma grande paixão pelas letras em especial pela poesia, como tal, e como diz o vulgo, cada um puxa a brasa à sua sardinha, deixo-lhe aqui um excerto de um poema escrito recentemente: No que terminam as árvores, em folhas, em ramos? /Ou em algo que nos falta à vista? /Terminam as estradas, onde nunca vamos? /Ou ao encontro da nossa conquista? Quer leia esta carta ou não, e consequentemente a quadra que te deixo, diverti-me igual, porque o imagino sentado num cadeirão do escritório, com o indicador e o dedo maior, juntos, encostados na cabeça, ajeitando os óculos a ler, transpondo-me ao sentido reverso, pois sou eu que leio o que escreve, e que é meu também, ou não serão os livros de quem os lê? Quer leia esta carta ou não, valeu a pena, vale sempre se a alma não é pequena, ou não fosse isso que disse o grande poeta. P.S. Desculpo a proximidade do “tu” que utilizei, mas é o resultado das emoções que os teus livros fazem despontar.

José Duarte

01 de Maio de 2009

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