José Rodrigues Miguéis / José Saramago.Correspondência 1959-1971

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Quem sabe se a felicidade não seria exactamente esse pôr o homem a viver, no seu dia de hoje, a sua vida toda, integrar a memória total na parcela de homem que em cada dia somos? Ou talvez não fosse felicidade, talvez fosse um inferno – a irremediável saudade…

(Carta de José Saramago a José Rodrigues Miguéis, 7 de Junho de 1960)

Será por vaidade ou por ambição que nos escrevemos? (Para “ganhar a vida” – ou perdê-la – há bem melhores meios!)
Dizia o meu avô Sahil (de Góis), morto há quase 70 anos: “A ambição eleva o homem, a ambição o precipita”: Não sei a que Bíblia ele foi buscar esta filosofia. – Porque escrevo eu, se quando me liberto disso, e ando por aí sem destino, me sinto aliviado, livre e quase feliz? – Sim, porque no meio de tantas tormentas, tenho dias de calma e de quase-felicidade, que clarifico com a minha própria substância, os pensamentos!

(Carta de José Rodrigues Miguéis a José Saramago, 13 de Outubro de 1971)

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Nas livrarias portuguesas a partir do mês de Junho

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