“José Saramago nas Suas Palavras”, organização e selecção de Fernando Gómez Aguilera

Sessão de lançamento a 15 de Novembro, pelas 18 Horas, no Palácio das Galveias (Lisboa).

A sessão contará com as intervenções de Fernando Gómez Aguilera, Clara Ferreira Alves e leitura por Pedro Lamares 

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Capas das edições da Caminho (a publicar em Novembro), da Companhia das Letras 
e da Alfaguara (já publicadas)

Presentación en la Universidad Complutense de Madrid. Martes, 19 de octubre, a las 19 h, en la Biblioteca Histórica de la UCM

Participan: Carlos Berzosa (Rector de la UCM) » Rosa Falcón (Directora de Foro Complutense) » Pilar del Río (Presidenta de la Fundación José Saramago) » Fernando Gómez Aguilera (Autor del libro)

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¿Qué pensaría Saramago?
(El País)

Saramago nos media em livro editado hoje em Espanha
(Público)

José Saramago nas suas palavras editado em Espanha
(Diário de Notícias / LUSA)

Único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel, José Saramago (1922-2010) é um exemplo perfeito do intelectual engajado preconizado pelo autor de As palavras, Jean-Paul Sartre. Com efeito, a intervenção na esfera pública, o comprometimento com uma visão crítica do mundo, a defesa de ideias muitas vezes polêmicas, a indignação diante das injustiças e desigualdades econômicas e sociais são características marcantes de alguém que jamais separou o escritor do cidadão e sempre disse com todas as palavras o que pensava. Este livro, editado por Fernando Gómez Aguilera, biógrafo espanhol de Saramago, traz uma ampla seleção de declarações do escritor extraídas de jornais, revistas e livros de entrevistas, publicados em Portugal, no Brasil, na Espanha e em diversos outros países, da segunda metade da década de 1970 até março de 2009.

Os textos estão organizados cronologicamente no interior de núcleos temáticos que abrangem as questões mais recorrentes nas manifestações do escritor. A primeira parte, centrada na pessoa José de Sousa Saramago, reúne comentários sobre sua infância, a formação autodidata, a trajetória pessoal, os lugares onde morou, bem como reflexões sobre si mesmo – o pessimismo, a indignação, a coerência, a primazia da ética – que traçam o perfil de um escritor sempre disposto a praticar a introspecção e a compartilhar seu pensamento com a opinião pública. A segunda parte, em que vem para o primeiro plano a figura do escritor, traz reflexões sobre o ofício literário que mostram sua plena consciência dos procedimentos romanescos, concepções pouco ortodoxas para um comunista sobre as relações entre literatura e política – “não vou utilizar a literatura para fazer política” – e o papel do escritor na sociedade: “se o escritor tem algum papel, é intranquilizar”. Na terceira parte, quem fala é o cidadão José de Sousa Saramago, o crítico, entre outras coisas, da globalização econômica, do “concubinato” dos meios de comunicação com o poder, do consumismo, do comunismo soviético, da paralisia da esquerda incapaz de inovar, do conservadorismo da Igreja católica, da postura de Israel em relação aos palestinos e do irracionalismo generalizado do mundo capitalista. Sua voz clama pela democracia social plena – não apenas formal e eleitoral -, pelo respeito integral aos direitos humanos e pelo sagrado direito de espernear: “Ao poder, a primeira coisa que se diz é não”.

As palavras de Saramago compõe o retrato falado de um escritor que exerceu seu ofício com o profissionalismo de um operário, a pertinácia de um militante político, a consciência de um cidadão e a visão ampla de um verdadeiro intelectual.

As Palavras de Saramago, Companhia das Letras, Brasil

 

 

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