José Saramago nas suas palavras

Portugal:

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Editorial Caminho

2010, 2.a ed., 2010

«Nesta compilação sobre a qual de momento o leitor se debruça, oferece-se um amplo repertório de palavras suas [de José Saramago] extraídas exclusivamente de jornais, revistas e livros de entrevistas […] num leque cronológico que abrange a segunda metade dos anos setenta e vai até Março de 2009. Os extractos seleccionados foram obtidos a partir de um vasto corpus de declarações publicadas em países muito diversos: Portugal, Espanha, Brasil, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Argentina, Cuba, Colômbia, Peru… […] Este é, enfim, um livro dos muitos possíveis que se poderiam apresentar sob a orientação que o anima e é, ainda assim, uma obra aberta, que não se esgota na literalidade que aqui é adoptada, com a vontade, não obstante, de esboçar uma arquitectura ideológico-social saramaguiana idónea, de dar consistência a uma identidade precisa.»

Fernando Gómez Aguilera, in José Saramago nas Suas Palavras

Edições estrangeiras:

Brasil:

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Companhia das Letras

2010

Único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel, José Saramago (1922-2010) é um exemplo perfeito do intelectual engajado preconizado pelo autor de As palavras, Jean-Paul Sartre. Com efeito, a intervenção na esfera pública, o comprometimento com uma visão crítica do mundo, a defesa de ideias muitas vezes polêmicas, a indignação diante das injustiças e desigualdades econômicas e sociais são características marcantes de alguém que jamais separou o escritor do cidadão e sempre disse com todas as palavras o que pensava. Este livro, editado por Fernando Gómez Aguillera, biógrafo espanhol de Saramago, traz uma ampla seleção de declarações do escritor extraídas de jornais, revistas e livros de entrevistas, publicados em Portugal, no Brasil, na Espanha e em diversos outros países, da segunda metade da década de 1970 até março de 2009.

Os textos estão organizados cronologicamente no interior de núcleos temáticos que abrangem as questões mais recorrentes nas manifestações do escritor. A primeira parte, centrada na pessoa José de Sousa Saramago, reúne comentários sobre sua infância, a formação autodidata, a trajetória pessoal, os lugares onde morou, bem como reflexões sobre si mesmo – o pessimismo, a indignação, a coerência, a primazia da ética – que traçam o perfil de um escritor sempre disposto a praticar a introspecção e a compartilhar seu pensamento com a opinião pública. A segunda parte, em que vem para o primeiro plano a figura do escritor, traz reflexões sobre o ofício literário que mostram sua plena consciência dos procedimentos romanescos, concepções pouco ortodoxas para um comunista sobre as relações entre literatura e política – “não vou utilizar a literatura para fazer política” – e o papel do escritor na sociedade: “se o escritor tem algum papel, é intranquilizar”. Na terceira parte, quem fala é o cidadão José de Sousa Saramago, o crítico, entre outras coisas, da globalização econômica, do “concubinato” dos meios de comunicação com o poder, do consumismo, do comunismo soviético, da paralisia da esquerda incapaz de inovar, do conservadorismo da Igreja católica, da postura de Israel em relação aos palestinos e do irracionalismo generalizado do mundo capitalista. Sua voz clama pela democracia social plena – não apenas formal e eleitoral -, pelo respeito integral aos direitos humanos e pelo sagrado direito de espernear: “Ao poder, a primeira coisa que se diz é não”.

As palavras de Saramago compõe o retrato falado de um escritor que exerceu seu ofício com o profissionalismo de um operário, a pertinácia de um militante político, a consciência de um cidadão e a visão ampla de um verdadeiro intelectual.

Espanha:

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Alfaguara

2010; 2011 (Colecção Biblioteca Saramago) (Trad.: Pilar del Río)

En el fondo, todos tenemos necesidad de decir quiénes somos y qué es lo que estamos haciendo, la necesidad de dejar algo hecho, porque esta vida no es eterna y dejar cosas hechas puede ser una forma de eternidad.

JOSÉ SARAMAGO

José Saramago en sus palabras.

Un catálogo de reflexiones personales,

literarias e ideológicas

La intervención en la esfera pública constituye uno de los rasgos centrales del perfil intelectual de José Saramago. Su voz se convirtió en una referencia global, particularmente identificada con el pensamiento crítico, la defensa de los excluidos y la reivindicación de los derechos humanos. La concesión del Premio Nobel de Literatura en 1998 contribuyó a acrecentar el alcance de sus palabras.

Este libro constituye un repertorio de declaraciones del autor recogidas en prensa escrita desde la segunda mitad de los años setenta hasta marzo de 2009. Su vertiente de creador de opinión pública queda bien patente en estas páginas, que ahondan en la identidad de José Saramago como persona, como escritor y como ciudadano comprometido.

Controvertido y racionalista, sentencioso e imaginativo, original y provocador, político y combativo, Saramago observa, analiza y saca conclusiones poderosas formuladas mediante frases robustas y sugerentes. Unas declaraciones que constituyen hoy un valioso caudal de información y de presentación de ideas y valores éticos, así como un compendio de sabiduría.

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