Miguel Portas

O adeus público a Miguel Portas será em Lisboa, no Palácio Galveias das 15 e as 19 horas de sábado, 28 de abril. No domingo, haverá uma sessão evocativa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, a partir das 14:30, cumprindo a vontade expressa do eurodeputado. O funeral será privado.

Miguel Portas, jornalista, escritor, cidadão, morreu aos 53 anos no dia 24 em Antuérpia, na Bélgica, onde estava hospitalizado, na sequência de um cancro no pumão.

Actualmente era eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda. Sempre atento e solícito, confundiu a sua vida pública com a privada porque lhe urgia a militância política a partir de uma posição clara e inequívoca de serviço público. A Fundação José Saramago dá os pêsames à sua família, amigos e aos militantes e eleitores do Bloco de Esquerda.

 

O Bloco de Esquerda, de que foi fundador e eurodeputado, refere que Miguel Portas “encarou a sua própria doença como fazia sempre tudo, da política ao jornalismo: de frente e sem rodeios.”

“Teve uma vida intensa e viveu-a intensamente. Durante toda a sua doença continuou sempre a cumprir as suas responsabilidades e estava, neste preciso momento, a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do BCE”, lembra ainda o BE em comunicado.

Filho do arquiteto Nuno Portas e da economista Helena Sacadura Cabral, irmão de Paulo Portas e da empresária Catarina Portas, Miguel Portas deixou dois filhos. Fazia 54 anos no dia 1 de maio.

Jornalista de profissão, fundou o jornal “Já” e a “Vida Mundial”, de ambos tendo sido diretor. Também integrou a redação do “Expresso”.

Ativista político desde antes do 25 de Abril, militou no PCP a partir de 1974. Em 1989 rompeu com o partido, criticando-lhe a incapacidade de renovação ideológica. Em 1999, integrou com Francisco Louçã, Luís Fazenda e Fernando Rosas o quarteto fundador do Bloco de Esquerda.

Nesse ano concorreu pela primeira vez às eleições europeias, não conseguindo ser eleito. Foi-o pela primeira vez nas europeias seguintes, em 2004. Em 2009 voltou a ser cabeça-de-lista, tendo o BE triplicado o número de eleitos (de um para três).

A sua última intervenção pública fê-la na sua página no Facebook, a propósito da desocupação policial da Fontinha, no Porto: “A Es.col.a da Fontinha, que tem um trabalho mais do que meritório com a população do bairro, está a ser despejada à bruta por uma cruzada de políticos idiotas. Que todas as boas vontades se juntem contra a estupidez. Já.”

Depois das últimas legislativas, onde o BE perdeu metade dos deputados (de 16 para oito) e quase metade dos votos (de 557 mil para 288 mil) fez várias intervenções pugnando pela renovação do partido que fundou em 1999. A última das quais foi no dia 14, sobre umas eleições na concelhia de Lisboa do partido: “Venceu quem era previsível que ganhasse. A lista A contava com o apoio de grande parte do ‘aparelho’ e das duas correntes mais disciplinadas da maioria. A novidade da eleição foram, contudo, os 39% alcançados pela lista B, que corria por fora, baralhou os alinhamentos por corrente, tradicionais no Bloco, e foi capaz de pôr o dedo na ferida dos dirigismos e recusar as leituras simplistas sobre a política autárquica lisboeta. E sabem que mais? A competição melhorou qualitativamente a própria concelhia. Saibam os dirigentes interpretar devidamente a pluralidade que o Bloco integra.”

A 8 de março Miguel Portas participou na iniciativa DN Escolas. O eurodeputado esteve na Escola Secundária de Caldas das Taipas, em Guimarães, onde falou aos alunos sobre “A Europa (im)Perfeita”. Numa sessão em que demonstrou uma grande disponibilidade para responder às questões dos estudantes, Portas falou da sua detenção pela PIDE e do 25 de Abril e da presença de jovens na política. Falou da crise e deu o testemunho da sua visita à Grécia. Ressalvou ser a favor da liberdade mas contra a liberdade de capitais. “O azar de Portugal é ser um país e não ser um banco”, disse aos alunos. Miguel Portas respondeu a todas as perguntas do auditório. Disse mesmo que tinha “todo o tempo do mundo” para responder às questões do público. Depois da sessão ficou na escola e juntou-se aos alunos na biblioteca, onde participou, também, na semana da leitura.

Fonte: DN

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