No teatro, a fulgurante epidemia de cegueira

fjsA primeira adaptação a teatro, a partir da obra de José Saramago, Prémio Nobel de Literatura, pelo Teatro Là-bas será apresentada esta quinta-feira, 3 de Fevereiro, às 19 H, e na sexta-feira, 4 de Fevereiro, pelas 20.45 H, no Teatro Clermontais.

Num sinal vermelho um homem fica cego. Chega depois a vez do homem que o acompanha a casa. Em seguida, o oftalmologista que o examina. Os pacientes na sala de espera. Rapidamente, espalha-se uma epidemia de cegueira branca deslumbrante. Apenas uma mulher parece ser poupada à “luz branca”. Enfrentando a situação, as autoridades decidem colocar os doentes em quarentena. É num asilo de loucos desactivado que se encontrarão as primeiras vítimas, é onde se unirão ao grupo de pessoas que o público vai acompanhar nesta jornada de trevas em branco.

O inferno branco atinge, em seguida, uma outra dimensão, a da grande cidade, onde vão entrar, guiados por esta mulher que não se rende, apesar da dor de ver o que é obrigada a ver. Porque é precisamente disso que se trata, ver. É a isso que Saramago nos convida, à lucidez.

Saramago narra o quotidiano de pessoas que ficam cegas, numa sociedade de cegos. Se a barbárie assume formas que a História, infelizmente, muitas vezes revelou, uma mulher, que continua a ver, irá salvar um grupo unido por laços de solidariedade.

A adaptação de Peter Astrié foi aprovada por Saramago. Escrita em estreita colaboração com o encenador Denis Lanoy, ele centra a peça na palavra e na história de três personagens: o oftalmologista que, apesar de cego, assume uma figura de autoridade no grupo; a sua mulher, a intrusa que se fará passar por cega e será obrigada a aceitar a sua condição de não-cega; e o narrador, através de quem tudo é revelado e decidido e sem o qual esta gigantesca parábola não existiria.

Fonte: midilibre.com

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