Oscar Niemeyer comemora 102º aniversário

O arquitecto, que esteve internado em setembro e passou por duas cirurgias, falou sobre como se sente em relação à idade actual. “A gente olha para trás e vê tanto trabalho. A vida é complicada demais. Passo por ela sem problemas, felizmente. O homem tem que ser fraternal. Temos que olhar o outro e caminhar junto. Sou igual aos outros. Não vejo nenhuma qualidade demais em mim não. Apenas trabalhei e tive algumas ideias aproveitadas”, disse. Niemeyer ainda tentou ser humilde na cerimónia: “apenas procurei ser útil”.

fjsNiemeyer não se deslumbra com a longevidade e tenta ser humilde com sua obra. “Não tive contribuição nenhuma (para a arquitetura brasileira). Apenas procurei ser útil. Não sou melhor do que ninguém. Nada de fantasia”, disse.

“Não quero ir embora não. A vida ainda me atrai. Vivo um momento de esperança apesar da idade. As coisas tendem a se harmonizar”, disse. Niemeyer afirmou também que a idade não fez com que tivesse maior apego por nenhuma de suas obras: “procurei dar uma solução diferente para cada um deles”. Niemeyer comentou também um projeto para o sambódromo do Rio, que está nas mãos do pessoal de seu estúdio, no qual seu neto Carlos Oscar também trabalha. “Vai ficar bem. O que faltava era desocupar o espaço que tem ao lado (terreno do camarote de uma marca de cerveja). Já refizemos a maquete”, disse.

A data será comemorada não apenas no Brasil. Em Portugal será lançado o livro bilingue português-inglês “Olhar Niemeyer, Look at Niemeyer”, no Centro Cultural de Belém em Lisboa. O livro, coordenado por Carlos Oliveira Santos, reúne fotos de 1.100 obras de 11 países, com a obra do arquitecto vista por grandes fotógrafos.

Para celebrar o centenário, em 2007, a comissão portuguesa para as Comemorações Niemeyer 100 Anos promoveu um concurso internacional de fotografia sobre a sua vasta obra espalhada pelo mundo dedicado a fotógrafos amadores e profissionais. O resultado sai agora em livro.

Em Maio de 2008, Niemeyer recebeu das mãos do embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, o certificado de sócio-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa.

Apesar da idade avançada, Niemeyer, um dos grandes renovadores da arquitectura no século XX, trabalha diariamente no seu atelier com vista panorâmica para a Praia de Copacabana.

O arquitecto desenhou a maioria dos prédios públicos de Brasília, como os Palácios do Planalto, da Alvorada, do Itamaraty, a Catedral, os edifícios do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.

Certa vez afirmou que não é o ângulo recto que o atrai, mas “a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida”.

A beleza de seu traçado levou as Nações Unidas a declarar a cidade de Brasília património cultural da humanidade em 1987.

Um dos seus projectos mais recentes é o Museu Nacional de Brasília, uma cúpula com quase 90 metros de diâmetro, um mezanino e sobre ele uma rampa com 30 metros de balanço, que é um mirante da cidade.

Nascido no Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares Filho deu início à carreira no atelier de Lúcio Costa, o seu futuro parceiro na criação de Brasília, no terceiro ano de curso na Escola de Belas Artes.

Niemeyer foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas e plásticas do betão armado.

Alguns dos projectos importantes do arquitecto no Brasil são os conjuntos arquitectónicos da Pampulha, em Belo Horizonte, e do parque Ibirapuera, em São Paulo.

No exterior, destacam-se 15 prédios do bairro residencial de Hansa, na Alemanha, a torre da Defesa e sede do Partido Comunista Francês, em Paris, os anexos da Universidade de Oxford, na Inglaterra, e uma urbanização no Algarve, em Portugal.

Nos anos 60, Oscar Niemeyer concebeu o projecto para um conjunto de hotel, casino e centro de congressos no Funchal, Madeira, que acabou por ser concretizado cerca de dez anos depois.

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