Parabéns Souto de Moura

fjsHá uns tempos, Eduardo Souto de Moura recebeu um telefonema em que lhe comunicavam que lhe tinha sido atribuído o Prémio Pritzker. “Não percebi. Pediam-me para enviar uns papéis, pensei que era uma brincadeira”, afirmou o arquitecto, esta segunda-feira à noite, na conferência de imprensa que deu num hotel, em Lisboa, no dia em que se soube que venceu o Prémio Pritzker, considerado o Nobel da arquitectura.

Nesse telefonema asseguraram-lhe que era verdade e pediram-lhe para assinar um contrato de sigilo porque seria muito desagradável que a imprensa publicasse a notícia antes que a entidade que dá o prémio o anunciasse. Foi isso que aconteceu. O “site” espanhol, especializado em arquitectura, Scalae, colocou a notícia online. “De manhã, telefonaram-me a dizer que saiu a notícia em Espanha e só de tarde é que foi divulgado oficialmente. Da minha parte não houve fuga de informação”, acrescentou.

Quando recebeu o telefonema da Fundação Hyatt que atribui o prémio no valor de cem mil dólares (71 mil euros) o arquitecto ficou muito admirado. “Na altura, como não era oficial fui ao site do Prémio onde estava a votação em cada candidato deste ano. Eu acho que estava em último lugar: tinha 700 votos”, contou.

Em primeiro lugar nessa lista encontrava-se o arquitecto britânico David Chipperfield, seu amigo, e que durante a viagem de táxi que Souto de Moura fez do aeroporto de Lisboa para o hotel, onde decorreu a conferência de imprensa, lhe telefonou a dar os parabéns.

“Fiquei sempre na expectativa até que hoje o New York Times – com todo o respeito por vocês – me disse que me quer fazer umas perguntas amanhã, o que é sinal de que é verdade”, brincou com os jornalistas.

O outro português que já recebeu um Pritzker, o arquitecto Álvaro Siza, disse que era uma questão de tempo até que Souto de Moura recebesse este prémio. Eduardo Souto de Moura não sentia isso e citou Siza, com quem trabalhou, e que sempre lhe disse que “a primeira condição para ganhar prémios é não se pensar neles”.

Nunca pensou ganhar o Prémio Pritzker. “Tive uma leve suspeita, para dizer a verdade, de ganhar o Prémio Europeu de Arquitectura Mies van der Rohe com o Estádio de Braga. Perdi por um voto segundo me disseram. Mas o Pritzker é muito complicado porque é o mundo inteiro.”

Eduardo Souto de Moura considera que receber o prémio agora “é muito bom” porque “estava muito preocupado” com a sua actividade de arquitecto: “Primeiro, porque praticamente só trabalho lá fora. Estou a ficar cansado e não é razoável. Segundo, por causa dos escritórios de arquitectura em Portugal. Não há emprego, está tudo a emigrar. Temos bons arquitectos e a chamada geração à rasca está mesmo à rasca. E não há para onde ir. O único sítio para onde os arquitectos portugueses estão a ir é para a Suíça – a Europa não está famosa – e estão a ir para o Brasil. Há um certo prestígio das escolas e dos arquitectos portugueses. Um país com dez milhões de habitantes ter dois prémios Pritzker não é muito comum.”

Se tivesse que eleger uma das suas obras elegeria o Estádio do Braga. “É uma obra que tive a oportunidade de fazer no sítio e no momento certo. Fazer uma obra que vai desde uma intervenção de paisagem – mudei a geografia daquele sítio – até ter conseguido desenhar os puxadores das portas. É uma obra…em que os defeitos são meus. Não tive nenhuma pressão, agora tenho, há problemas financeiros, mas na altura isso não aconteceu.”

“Este prémio se mo deram a mim não é por ser excepcional, eu prefiro pensar que sou normal. Eu adivinho que com a crise económica os arquitectos excepcionais não vão ter nenhum futuro. Acabou um certo estrelato da arquitectura.”

“Como dizia Mário Cesariny o país está com o tecto muito baixo e estes prémios – já é o segundo Pritzker para Portugal – são alavancas para levantar o país. Isto acontece não só na arquitectura, no futebol, na ciência mas também na literatura”, conclui.

Viagem aos projectos de Souto de Moura
(Público)

Fonte: publico.pt

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El premio Pritzker regresa a Portugal

Eduardo Souto de Moura es el nuevo premio Pritzker de Arquitectura, pero tan noticia como esto fue la forma en que se conoció ayer: a través de una filtración que provocó un verdadero ataque de ira en los responsables de la Fundación Hyatt, que atribuye este denominado Nobel de la Arquitectura.

El pacto que permite que una institución adelante información a la prensa a cambio de que se publique en una fecha concreta saltó ayer por los aires cuando se hizo público a través del portal de arquitectura www.scalae.net el nombre del Pritzker 2011. Eduardo Souto de Moura, discípulo de Álvaro Siza, es el segundo arquitecto de esa nacionalidad (tras el propio Siza, en 1992) que recibe el galardón. Su anuncio estaba previsto para el 11 de abril.

Souto de Moura no olvidó ayer, al realizar sus primeras declaraciones tras el premio, recordar la figura y la obra de su mentor. Lo hizo de esta forma: “Cuando recibí la primera llamada diciendo que había obtenido el premio Pritzker apenas lo creí. Es un gran honor y ser el segundo arquitecto portugués que lo recibe tras Siza lo convierte en algo incluso más importante”, dijo De Moura en un comunicado.

El jurado, que este año incluía entre otros a los arquitectos Renzo Piano y Glenn Murcutt (galardonados en ediciones anteriores) considera: ” A lo largo de tres décadas Eduardo Souto de Moura ha producido un compendio de obras que pertenecen a nuestro tiempo pero que también tienen una fuerte conexión con las tradiciones arquitectónicas. Sus edificios tienen la habilidad única de combinar características aparentemente contradictorias como el poder y la modestia, el atrevimiento y la subliminalidad, el peso de la autoridad pública y una sensación de intimidad”.

Souto ha realizado la mayor parte de su trabajo en Portugal, aunque entre sus más de 60 proyectos acabados hay obras en Italia, Alemania, Suiza, Reino Unido, Bélgica y España, donde ha construido la Casa de Llabiá, en Girona. Entre sus creaciones más relevantes los integrantes del jurado han destacado el Centro Cultural y la Torre Burgo de Oporto (su ciudad natal) o el estadio de fútbol de Braga, que consideran “un trabajo muscular, monumental y acorde con el poderoso paisaje”.

Entre sus cualidades destacan precisamente la de integrar la obra en el entorno. Sin embargo, alejándose del mantra de moda hoy entre la mayoría de los arquitectos planetarios, rechaza de plano la definición de arquitectura ecológica o sostenible. “La arquitectura, para ser buena, lleva implícito el ser sostenible. Nunca puede haber una buena arquitectura estúpida. Un edificio en cuyo interior la gente muere de calor, por más elegante que sea, será un fracaso. No se puede aplaudir un edificio porque sea sostenible. Sería como aplaudirlo porque se aguanta”, declaró en una entrevista a este diario en 2007.

Fuente: elpais.com

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