Pedro Teixeira Neves é o vencedor do Prémio de fotografia Retratar um Livro – “Nome de Guerra”, de Almada Negreiros

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O júri do Prémio de fotografia “Retratar um Livro”, composto pelo escritor e ensaísta António Mega Ferreira, o professor e cantor lírico Jorge Vaz de Carvalho e o fotógrafo António Pedro Ferreira, por unanimidade, decidiu outorgar o primeiro prémio a Pedro Teixeira Neves (Algés) pelo conjunto de fotografias apresentadas a concurso que retrata o livro Nome de Guerra, de Almada Negreiros.

O segundo prémio foi para o conjunto de obras de Maria do Rosário António (Porto) e o terceiro para o díptico “Longe de nós”, de Paulo Lisboa (Leiria).

Este prémio, organizado pela Fundação José Saramago com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, do BPI e da Assírio & Alvim, pretende fomentar a leitura dos clássicos contemporâneos e que os leitores mostrem, através das fotografias que realizem, a sua própria interpretação da obra. Que sem dúvida será enriquecedora para o conjunto dos leitores.

A esta primeira edição concorreram mais de 300 obras originárias de todo o país. O prémio pretende ter continuidade nos próximos anos, com títulos imprescindíveis à literatura portuguesa, como é este Nome de Guerra, de Almada Negreiros, responsável, para José Saramago, “pela segunda revolução estilística da nossa língua e da nossa literatura. A primeira foi a do Garrett, com as Viagens na Minha Terra, e a segunda foi a do Almada Negreiros com o Nome de Guerra.”

Os galardoados receberão o prémio numa cerimónia que terá lugar no próximo mês de Setembro. Para além da dotação económica, serão entregues as colecções de obras de Almada Negreiros e de José Saramago, protagonistas deste Prémio, por cortesia da Assírio & Alvim e da Editorial Caminho. Nessa data será apresentada a exposição itinerante das fotografias premiadas, composta pelo conjunto de 21 obras seleccionadas pelo júri.

Os membros do júri, que consideraram de alto nível a maior parte das fotografias, definiram assim os trabalhos:

A originalidade da leitura, a qualidade de concepção e execução fotográfica e a compreensão visual do livro de Almada foram as razões da minha escolha.
António Mega Ferreira

O primeiro prémio destaca-se por iluminar a ficção de Almada Negreiros através de um percurso discursivo nada literal, antes imaginativamente reinspirador.
Jorge Vaz de Carvalho

É mais difícil retratar um livro que uma pessoa. Cada página é um rosto diferente, um olhar distinto, uma paisagem a inventar.
António Pedro Ferreira

1.º Prémio
Pedro Teixeira Neves

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Matéria mutilada

A Judite é um pedaço de verdade, autêntica, sem forma nem fuga. verdade tão pura que não admite arranjo nem escape. Ao mesmo tempo, ela é a ignorância em pessoa. Verdade absoluta sem sonho. Sem imaginação. Os seus dezanove anos cheios de cicatrizes são a estátua mutilada da Verdade. Os gestos da estátua são falsos, é tudo mentira, apenas a matéria da estátua mutilada é verdade!
In Nome de Guerra

2.º Prémio
Maria do Rosário António

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O perfil

Através dos séculos, uma linha única e incessantemente seguida acabou por tornar inimitável o perfil de cada um.
In Nome de Guerra

3.º Prémio
Paulo Lisboa 

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Longe de nós

O infinito era-lhe acessível. O Antunes perguntou-se se seria mesmo: ver ao longe e ver o longe.
In Nome de Guerra

Pedro Teixeira Neves é escritor, fotógrafo e jornalista residente no programa “Câmara Clara”, da RTP2
Maria do Rosário António é professora
Paulo Lisboa é técnico de T.I./Rec. Humanos

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Todas as informações sobre a primeira edição do
Prémio de fotografia “Retratar um livro”

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