Regina

Querido Saramago,

Permita-me tratá-lo assim, com informalidade, pois muitos de meus dias e muitas mais de minhas noites passei em companhia de seus escritos. Além disso, faço aniversário também em 16 de novembro, e sempre lembro de você quando estou apagando as vvelinhas. Comecei a ler seus livros quando saiu no Brasil “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. O livro foi presente de um querido amigo que o admira. Mais um motivo para ser você também, Saramago, querido. Desde então, creio que era 1990 ou 1991, leio sempre que posso um de seus livros. O Natal de 2008, passei em companhia do elefante salomão. E ainda tenho em casa alguns de seus livros que foram comprados mas ainda não lidos: “As pequenas memórias” e “Intermitências da Morte”. Em ambos, as primeiras linhas me tomaram de tal forma que senti que era preciso lê-los com mais calma, sem pressa, quando tivesse tempo para sorver as palavras. É uma forma de leitura muito be m descrita pela brasileira Clarice Lispector em seu conto “Felicidade Clandestina”. Consiste, dito de maneira pobre, em guardar coisas boas para apreciá-las com cuidado e tranquilidade, lentamente, sem ninguém por testemunha. Mas se escrevo é justamente porque, por gostar tanto de seus livros, preciso dizer que discordo de você em uma coisa. Li em uma de suas entrevistas que “O Ano da Morte de Ricardo Reis” é um livro de que você não gosta muito. E preciso discordar, porque é um dos seus livros que mais me fizeram admirar sua escrita. Não digo que ele é melhor que os outros. Mas não consigo enxergá-lo nem um degrau abaixo dos outros. Não falo como crítica, nem como escritora, nem como acadêmica, porque não sou nenhuma dessas coisas. Falo como leitora. E por isso, quero agradecer por tê-lo publicá-lo, apesar de seus sentimentos em relação a ele. Não seja tão exigente com o livro. Ele é o que tem de ser: muito bom. Um abraço,

Regina

15 de septiembre de 2009

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