“Saramago: Escrever, Interromper. Narrativas breves de José Saramago: problemáticas de um lugar discursivo” — Tese de Doutoramento de Maria de Fátima Roque

“Saramago: Escrever, Interromper. Narrativas breves de José Saramago: problemáticas de um lugar discursivo” — Tese de Doutoramento de Maria de Fátima Roque

Em Maio de 2016, a tese de doutoramento de Maria de Fátima Roque, intitulada “Saramago: Escrever, Interromper. Narrativas breves de José Saramago: problemáticas de um lugar discursivo”, foi apresentada e defendida na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a orientação da Professora Doutora Silvina Rodrigues Lopes.
No âmbito de Estudos Portugueses, especialidade Literatura, Maria de Fátima Roque investigou crónicas e contos, a que denominou de “narrativas breves”, de José Saramago, partindo da premissa do próprio quando dizia “Está tudo nas crónicas”. Esta tese é, pois o resultado de um trabalho aprofundado em torno da problemática da interrupção em literatura, com um corpus principal nas crónicas de José Saramago, escritas nos finais da década de 60 do século XX e publicadas nos jornais “A Capital” e “Jornal do Fundão”, diz a autora.

Mais acrescenta: As problemáticas analisadas nesta tese: a interrupção da literatura, o tempo, testemunho e ficção, escrever para os outros e a actualidade, muito devem à frase de Saramago e ao seu complemento: fixar o tempo, situar o objecto, recriar a palavra. Porque, se o ‘está tudo nas crónicas’, suscitou um primeiro e exaustivo levantamento de figuras, temas e problemas nos dois volumes de cónicas estudados[Deste mundo e do outro e A Bagagem do Viajante], a expressão fixar o tempo, situar o objecto, recriar a palavra, determinou o conjunto de problemáticas a eles associadas e que nos propusemos estudar, agora determinados a explorar esta promessa de confronto com o dogma, com os limites, com a palavra literatura, mesmo.

A tese divide-se em 4 capítulos, precedidos de uma introdução e finalizados com a conclusão: o primeiro capítulo “A Hipótese e os problemas”, o segundo “Testemunho e ficção”, terceiro “Saramago: escrever para os outros, ou a relação com o desconhecido”, e por fim “A actualidade e algo mais”. Na “Conclusão (ou uma porta aberta)”, refere a autora que no final deste estudo, a única conclusão possível, a marca que fica em todos nós, é a de que a interrupção é a implicação da literatura na vida. E ainda em jeito de conclusão, podemos talvez afirmar que, a chave literária que despoleta toda a obra de Saramago, com particular ênfase nas crónicas, é a vontade de conhecer. “Processo de conhecer”, na expressão de Gonçalo M. Tavares, que só pode ter por fio delineador o presente, mesmo que seja o passado a ser interrogado. Conhecer, contemporaneizar, tornar presente, chamar à presença. Poder das palavras, natureza proliferante e indeterminada da linguagem, que faz de todo o homem um animal literário. A tese termina com um excerto de Manual de Pintura e Caligrafia: É sobretudo a ideia do prolongamento infinito que me fascina. Poderei escrever sempre, até ao fim da vida, ao passo que os quadros, fechados em si mesmos, repelem, são eles próprios isolados na sua pele, autoritários, e também eles insolentes.

 

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