Unidos em redor da obra do mestre

fjsUm ano volvido após a morte de José Saramago, continuam a suceder-se as manifestações de apreço e devoção pela obra do único Nobel da Literatura de língua portuguesa. Um sinal mais de que o impacto que os seus livros provocaram num número alargado de leitores situados em paragens distintas irá resistir à passagem do tempo, feito de difícil alcance se constatarmos o grau de esquecimento que hoje rodeia obras ainda há poucos anos consideradas imprescindíveis.

Enquanto se aguarda, lá para o Outono, a publicação do inédito Clarabóia (além da vintena de páginas de Alabardas, alabardas! espingardas, espingardas!, romance que o autor deixou por concluir), a Caminho deu agora à estampa um volume que congrega um conjunto alargado de testemunhos de escritores, jornalistas, críticos literários e editores.

O que começa por impressionar é o espectro geográfico destes depoimentos. São 24 os países representados, incluindo territórios díspares como El Salvador, Panamá, Sara Ocidental ou Palestina, o que confirma o inacreditável alcance atingido pelos seus livros.

Das múltiplas evocações levadas a cabo poder-se-á construir um retrato invulgarmente pormenorizado do romancista e intelectual empenhado até ao fim. Se a admiração pela vida e obra saramaguiana percorre praticamente todos os textos, existem, todavia, abordagens e aproximações distintas, nada que cause estranheza atendendo ao carácter multifacetado do autor de O ano da morte de Ricardo Reis.

“De todas as coisas que José Saramago podia fazer, morrer era a mais inesperada”, observa o escritor e jornalista italiano Roberto Saviano, referindo-se respeitosamente ao romancista português como “o meu mestre José”.

O naipe de ilustres que acederam a escrever sobre Saramago é extenso. Dario Fo, Umberto Eco, Carlos Fuentes, Baltasar Garzón, Jorge Sampaio, Fernando Meirelles, Moacyr Scliar, Laura Restrepo ou Mia Couto representam uma ínfima parte dessa galeria de personalidades, cativadas pelo poder ficcional dos seus livros mas também, como refere o chileno Luis Sepúlveda, pelo “ícone de decência social”.

Sérgio Almeida
Fonte: Babel/Livros do Mundo – JN

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