A Blimunda em Macau (3)

No espaço do Albergue, um antigo asilo ligado à Santa Casa da Misericórdia, Paloma Amado falou sobre a obra de Jorge Amado, seu pai, numa homenagem que incluíu a inauguração de uma pequena exposição dedicada à vida e à obra do escritor. Com a sala cheia, Paloma partilhou com a audiência o desjo que o seu pai sempre teve de vir a Macau. Jorge Amado esteve na China por três vezes, duas nos anos 50 (na companhia de Nicolás Guillén, primeiro, e de Pablo Neruda, na segunda vez), e uma nos anos 80, já com a filha, mas nunca chegou a conhecer Macau. “Mas agora, de uma certa forma, aqui estamos, meu pai e eu, na Rota das Letras. Ele veio comigo e o medo de andar de avião já não o atrapalha”.

O reconhecimento universal de Jorge Amado foi ilustrado por Paloma a partir de uma história passada há poucos anos, em Roma. Paloma estava num café e ao lado sentava-se um casal vindo do Cazaquistão. Conversaram e Paloma disse que os seus pais conheciam o Cazaquistão, coisa que deixou surpreendido o casal. Quando lhe perguntaram em que contexto os seus pais teriam visitado o país, Paloma disse que o pai era escritor e o casal perguntou quem era o seu pai. Quando Paloma revelou que era filha de Jorge Amado, o homem sorriu e confessou-se grande leitor do autor e que os seus pais tinham, em casa, duas prateleiras apenas com livros de Jorge Amado. Aqui em Macau, essa mesma popularidade confirma-se, independentemente da língua em que os seus muitos leitores o recebem.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda, em Macau.

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