A Blimunda em Macau (5)

O festival literário de Macau, Rota das Letras, chegou ao fim. Nos últimos dois dias houve espaço para mais debates entre escritores, cinema (com a estreia em Macau de Na Escama do Dragão, de Ivo Ferreira), música (a cantora de Taiwan, Joanna Wang, actuou na sexta-feira e no sábado foi a vez de os Dead Combo e Camané conquistarem a plateia da Cotai Arena, na Taipa) e mais conversas, nomeadamente sobre a Festa Literária Internacional de Paraty, que está em Macau representada pelo seu director, Mauro Muñoz. No último debate, já apresentado como um pós-evento, ontem, mas ainda ecoando a energia que o festival imprimiu à cidade, Ricardo Pinto e Hélder Beja (o director e o sub-director do Rota das Letras, respectivamante) fizeram um balanço muito positivo da edição deste ano, que trouxe um número maior de convidados e conseguiu, através da dispersão dos locais do programa, chegar a um público muito mais diversificado, quer nas escolas que receberam os escritores, quer em espaços espalhados pela cidade como o Albergue, o Instituto Português do Oriente, o Centro Cultural de Macau ou a Casa Garden, onde se situa a Fundação Oriente.

Sem ponto de comparação relativamente à edição anterior, quem chega pela primeira vez fica com a impressão de que o Rota das Letras, estando ainda a dar os primeiros passos, tem as condições e a equipa necessárias para crescer sem trair os seus objectivos e para se afirmar como um espaço de discussão e encontro entre a literatura, as artes e o pensamento de autores de várias origens e expressões, nomeadamente entre autores da China continental, de Macau e dos países onde se fala português, já que esse é o ponto de partida deste projecto, ainda assim notoriamente disponível para convocar autores de outras origens, algo que só pode valorizar um encontro como este.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda, em Macau.

Pin It on Pinterest

Share This