A eterna menina Maria Keil morreu aos 97 anos

A artista plástica Maria Keil morreu no dia 10 de junho, aos 97 anos, depois de uma vida dedicada à ilustração, à azulejaria e à intervenção cívica.

Nascida em Silves, Maria Keil veio aos 15 anos estudar para Lisboa, onde conheceu Francisco Keil do Amaral, o arquiteto com o qual partilhou a vida. Definia-se como “mulher de várias artes”: pintora, desenhadora, ilustradora, decoradora de interiores, designer gráfica e de mobiliário, ceramista, cenógrafa e figurinista, autora de cartões para tapeçaria “e, sobretudo, de composições azulejares”.

“Trabalho com muito gosto, na realidade faço o que se faz há milhares de anos, uma técnica conhecida, o quadrado de 14X14 cm e com tintas de água”, disse à agência Lusa, em 2009. “É um material pobre, talvez por isso não seja tão apreciado”.

Maia Keil realizou gratuitamente a decoração azulejar de todas as estações do Metropolitano de Lisboa inaugurado em finais de 1959, de que o marido era responsável. “Ele chegou a casa preocupado com falta de dinheiro para acabar o projecto” e foi ela que lhe sugeriu os azulejos.
“É uma arte barata, mas vistosa, e muito adequada aos espaços públicos. Por ordem do [Presidente do Conselho] Oliveira Salazar, os azulejos não podiam ser figurativos, daí ter optado pelo abstracto”, contou.
Em 2009 voltou a trabalhar no metropolitano, desta feita com o arquitecto Tiago Henriques, na extensão da estação de S. Sebastião da Pedreira, para a qual fizera os primeiros painéis, em 1959.

Maria Keil estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde frequentou as aulas do pintor Veloso Salgado. Iniciou a actividade aos 20 anos, dedicando-se sobretudo ao retrato, naturezas-mortas e também à decoração. 

 

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