“A Viagem do Elefante”, uma viagem no tempo contada por jornalistas espanhóis

O espetáculo “A Viagem do Elefante”do Trigo Limpo teatro ACERT teve na assistência em Sortelha, no dia 27 de julho, um grupo de jornalistas espanhóis convidados pelo Turismo de Portugal que, dias antes, visitaram a Fundação José Saramago. Luis Miguel Ariza escreveu no seu blog Planeta Prohibido, do El País, um extenso e ótimo trabalho intitulado “Una maquina del tiempo con trompa e colmillos” em que, mais do que escrever sobre o espetáculo, faz um paralelo entre as questões científicas que o fascinam e ao poder da ficção.

Com Luis Miguel Ariza viajou também Enrique Domínguez Uceta, jornalista da rádio Onda Cero, que fez uma extensa e entusiástica reportagem sobre este percurso, cujo link pode encontrar no final deste texto. Enrique destaca a visita à Fundação e a conversa que aqui manteve, por skype, com Pilar del Río que se encontrava nesse dia em Lanzarote. Bom conhecedor da vida e da obra de Saramago, Enrique relata a viagem desde Lisboa, deslumbrado em Constância, Castelo Novo e Sortelha, e sugerindo vivamente aos ouvintes que façam turismo neste lado da fronteira.

No texto do El País, diz Luis Miguel Ariza:

“É a quarta representação e o interesse dos habitantes das aldeias vizinhas vai em crescendo. Muitos, a maioria, jamais viram um elefante. Não há jardins zoológicos perto desta zona do interior. Mas existe uma certa paixão de viajante pelos séculos quando, através da música e da atuação, se trata de recordar e refrescar os mesmos sentimentos do passado”.

“Quando anoitece, o ar fresco que toca as pedras e a argamassa de há cinco séculos é profanado pelos archotes que faz o hindu que o ator incarna, num espetáculo cujas cores tingem a aldeia. E o elefante avança com lentidão na viagem imaginária até Viena, seguindo os passos do seu homónimo real do século XVI. Aqui, segundo a imaginação de Saramago, um padre local tentou lançar água benta sobre o elefante, sem êxito.”

A viagem no tempo do jornalista é enquadrada pelos ambientes medievais das aldeias históricas – Castelo Novo, Sortelha, Castelo Rodrigo – que vai percorrendo.

“Talvez seja um acaso. Enquanto caminhava sem encontrar ninguém – apenas um agricultor que circulava no seu trator, ou a cara de uma anciã que aparece e desaparece atrás das cortinas da entrada da sua casa – descobri que em certo sentido me tinha tornado um viajante do tempo. Um romance pode despertar naqueles que sempre ali viveram o interesse pela história de tempos mais gloriosos; e fazê-lo com mais eficácia e sentimento do que um achado arqueológico. O poder da ficção continua a ser enorme.”

Afinal, como diz Luís Pastor a Luis Miguel Ariza, “Salomão somos todos, chegamos onde nos esperam”.

El País

Onda Cero

Foto LM Ariza

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