As marcas do autor em “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, como objeto de estudo de dissertação de Mestrado

As marcas do autor em “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, como objeto de estudo de dissertação de Mestrado

“As marcas do autor em O Ano da Morte de Ricardo Reis de José Saramago”, assim se intitula a dissertação de Mestrado de Jaderson Soares Santana, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob a orientação de Professora Doutora Diana Navas, e defendida no ano 2015.

Neste Mestrado em Literatura e Crítica Literária, o investigador pretende abordar o tema do “autor-narrador”, como referia o próprio José Saramago. Propõe, nessa medida, um estudo aprofundado do estilo “saramaguiano” como sendo “talvez (…) esse tratamento indiferenciado, essa transição continuada entre as fronteiras do ficcional e o não ficcional, ‘um experimento estilístico’ compondo um texto que, embora predomine o espaço do imaginário, caracteriza-se por sua tessitura irregular, semelhante a uma colcha portuguesa de diferentes retalhos onde se veem, aqui e ali, partes distintas de crônica, poesia, ensaio, filosofia, história e literatura como a entendemos atualmente. Ou uma ‘inovação’ formal na sintaxe e na pontuação de um artista engajado, cuja pretensão principal seria intervir, por meio de suas narrativas, no mundo em que vivemos. Ou poder-se-ia pensar numa narrativa híbrida, a qual, do ponto de vista da forma encerra a estrutura do romance, por exemplo, mas sob ponto de vista de fundo, encerra um ensaio, uma reflexão sobre a inação ante o espetáculo do mundo. Uma narrativa cuja hibridização transcende à forma textual e atinge o cerne do fazer artístico: uma hibridização entre o ético e o estético.”, assim refere Jaderson Soares Santana na introdução de sua tese.

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A dissertação divide-se em três capítulos: o primeira intitula-se “A retórica, a história, a ideologia e a crítica”, tendo um último sub-capítulo dedicado a O Ano da Morte de Ricardo Reis; o segundo “Uma narrativa híbrida”, e o terceiro “Sobre o autor e o narrador” em que se regressa ao romance já referido.

Nas considerações finais, refere o investigador: “(…) podemos pensar que o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, mas também os demais romances da fase estátua, que são obras próximas ao corpus objeto desta dissertação, podem ser analisados como romances-ensaios ou como ensaios-romances, dependendo do sentido do texto que se quiser pôr em evidência. Do mesmo modo, estaremos diante de um autor-narrador ou do autor-implícito, nem sempre de um narrador onisciente em terceira pessoa, por exemplo, pois em tempos pós-modernos, tal visão está, a nosso ver, vinculada, ainda que inconscientemente, à pureza de estilos preconizada há mais de dois mil anos por Aristóteles. Sabemos que os gêneros são tipos ideias, e que na prática existe apenas a preponderância de um deles. (…)”

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