Cante Alentejano inscrito na Lista do Património Imaterial da Humanidade

Cante Alentejano inscrito na Lista do Património Imaterial da Humanidade

O Cante Alentejano integra a partir de hoje a Lista do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO. Depois do Fado (2011) e da Dieta Mediterrânica (2013, proposta conjunta com Chipre, Croácia, Espanha, Grécia, Itália e Marrocos) esta é a terceira vez que Portugal vê uma candidatura aprovada pelo órgão das Nações Unidas para as áreas da Educação, Ciência e Cultura.

Reconhecido como “manifestação de fraternidade, como factor de aproximação entre as pessoas”, o Cante Alentejano nasce das raízes mais populares para nos trazer imagens do amor, do trabalho, da vida e das paisagens dos homens e mulheres do Alentejo.

A Fundação José Saramago manifesta a sua satisfação por esta decisão da UNESCO, dando os parabéns a todos os que colaboraram na candidatura do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade, sobretudo aos homens e mulheres que o cantam e que o mantêm vivo dia após dia.

Em Viagem a Portugal, José Saramago escreveu:

São sete ou oito grupos de perto e longe. Cantam os trabalhos e os dias, os amores e as paisagens. Estão duas mil pessoas a ouvi-los pela noite fora, em silêncio, só aplaudindo no fim de cada canção, à entrada de cada grupo, mas neste caso quase nada, porque é sabido que mal se podem bater palmas quando os homens começam a mover-se, lentamente, naquele movimento pendular dos pés, que parecem ir pousar onde antes haviam estado, e no entanto avançam.
O tenor lança os primeiros versos, o contratenor levanta o tom, e logo o coro, maciço como o bloco dos corpos que se aproximam, enche o espaço da noite e do coração. O viajante tem um nó na garganta, a ele é que ninguém poderia pedir-lhe que cantasse. Mais facilmente fecharia os punhos sobre os olhos para não o verem chorar.

Alentejo, Alentejo (trailer) from Faux on Vimeo.

Ler informação na página da UNESCO

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