Chavela Vargas morreu aos 93 anos

Chavela Vargas, grande figura da canção mexicana, morreu neste domingo em Cuernavaca, México, aos 93 anos, no hospital onde dera entrada na sequência de complicações cardíacas e respiratórias, anunciou a sua amiga e biógrafa Maria Cortina. Vargas, nascida em 1919 em San Joaquin de Flores, Costa Rica, era uma mulher que desafiava as convenções – vestia-se como um homem para cantar rancheiras (canções tradicionais mexicanas cantadas habitualmente por homens), usava uma pistola, bebia muito e fumava ainda mais. Depois de uma infância difícil, marcada por uma má relação com os pais, aos 14 anos imigrou para o México onde, recorda a Associated Press, ainda adolescente começou a cantar nas ruas. Só quando já tinha passado os trinta anos é que iniciou a carreira profissional, durante a qual gravou 80 álbuns, tornando-se uma figura de referência na explosão artística mexicana de meados do século XX.

Foi amiga dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera e do escritor espanhol Federico Garcia Lorca. O El País conta que Chavela “aborrecia-se” quando lhe faziam perguntas sobre Frida, por quem terá estado apaixonada, mas gostava de recordar o que vivera com ela e com Rivera: “Convidaram-me para uma festa em casa deles. E fiquei. Convidaram-me a ficar a viver com eles e aprendi todos os segredos da pintura de Frida e Diego. Segredos muito interessantes, que não revelarei nunca. E éramos felizes todos. Vivíamos um dia de cada vez, sem um centavo, por vezes sem ter o que comer, mas mortos de riso”. Em 2002 apareceu no filme Frida, cantando a música La Llorona. A artista só falou abertamente sobre a sua homossexualidade aos 81 anos, quando publicou uma autobiografia intitulada Y si quieres saber de mi passado. Sobre Chavela, o realizador espanhol Pedro Almodovar disse um dia: “Não acredito que haja neste mundo um palco suficientemente grande para ela”. E homenageou-a, usando as músicas dela em vários dos seus filmes. No passado dia 12 de Julho, Chavela foi internada de urgência num hospital espanhol, mas acabaria por ter alta e por voltar ao México, onde queria morrer. Ela “era como os toureiros, sempre a despedir-se e sempre a regressar”, escreve o El País. O médico que a acompanhou disse, citado pela Associated Press, que Chavela se recusou a aceitar medidas médicas que lhe prolongassem a vida. “Queria ter uma morte natural”. “Nunca tive medo de nada porque nunca magoei ninguém”, dissera em 2011, num concerto de homenagem na Cidade do México.

Pin It on Pinterest

Share This