Crítica a Claraboia (Skylight) na revista We Love This Book

Crítica a Claraboia (Skylight) na revista We Love This Book

A revista britânica We Love This Book publicou na semana passada uma crítica a Claraboiaromance de José Saramago recém-publicado em inglês. Abaixo a tradução do texto (trad: Rita Pais):

Jo Harding, in We Love this Book (Bookseller magazine)

Embora escrito vinte anos antes da publicação do seu primeiro romance, o novo livro de Saramago é uma obra de maturidade, escrita com as suas habituais sabedoria e empatia. O editor não está a lucrar à custa de uma obra de juventude após a morte de um autor: o livro é um precursor dos seus romances posteriores.

Claraboia, na típica voz narrativa de Saramago, é um maravilhoso romance de personagens. Conta sobre as vidas de pessoas habitando um prédio de andares alugados. Enquanto o livro tem cenas domésticas, as famílias e os vizinhos têm segredos, mentiras e máscaras;escrevem-se cartas anónimas falsamente acusatórias revelando presumíveis casos amorosos; e há uma violência subjacente. Mas quando os personagens têm um pouco de liberdade, como o marido cuja mulher parte para voltar para Espanha, «não sabia[m] agora como gozá-la completamente».

Embora não seja um romance de carácter político, há um paralelo óbvio entre a vida privada e a vida pública sob a ditadura de Salazar. O livro mostra subtilmente como as vidas eram sufocadas e como as pessoas o suportavam, ou não. O Capítulo XXI é nuclear quanto a isto: uma discussão entre um jovem cético e um sapateiro que fora um resistente ativo. Ele diz, tentando persuadir o seu inquilino, «por detrás desta vida desgraçada que os homens levam, há um grande ideal, uma grande esperança». Mas o cético tem a última palavra: «O dia em que será possível construir sobre o amor não chegou ainda…» De facto iriam decorrer outros 20 anos e mesmo então a censura à obra de Saramago não terminaria.

Saramago, como sempre, transforma o usual em universal e o insignificante em excecional. Claraboia, fresco e tocante, é magnificamente traduzido por Margaret Jull Costa, seguramente a melhor tradutora das línguas ibéricas para o inglês.

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