De Istambul para a Casa dos Bicos, com Nazim Hikmet na bagagem

A visita à Casa dos Bicos dos leitores de José Saramago vindos de Istambul foi festejado com vinho do Porto do Caminho de Salomão, na manhã de quinta-feira, dia 25 de julho. Foi uma visita muito comovente, ou não fossemos todos mediterrânicos, gente que se comove com facilidade e não o esconde.

Todos eles – doze mulheres e dois homens – sublinharam na obra do José as questões políticas e cívicas, e a atualidade do tema do “Ensaio sobre a Cegueira” no momento que a Turquia está a viver. Traziam várias ofertas, entre as quais o livro “Os Românticos” de Nazim Hikmet que José Saramago traduziu para a Editorial Caminho (1985) e uma gravura de Istambul com os elétricos iguais aos de Lisboa. As muitas parecenças das duas cidades foram muito comentadas, aliás: a água, as pontes, os barcos, as sete colinas e… as pessoas. Deixaram também uma placa em vidro com uma inscrição em francês a recordar este dia.

Traziam vários livros do José Saramago em turco e ficaram surpreendidos por a Fundação ter exemplares não só na biblioteca como à venda na loja. E distribuiram turkish delights, bem doces, a que juntámos café a vinho do porto. Como não puderem encontrar-se aqui com Pilar del Río, ausente em Lanzarote, combinámos que haviam de voltar. A conversa foi fácil porque queríamos entender-nos mas ao mesmo tempo complicada porque falávamos nem todos os visitantes falavam francês ou inglês. Levaram para Istambul os Discursos de Estocolmo de Saramago, como recordação.

Este grupo faz parte de uma comunidade de leitores que tem cerca de cem pessoas, 40 das quais em Istambul e as outras em Ankara, Esmirna, Antália e Karadeniz Ereğli. Lêem livros, discutem-nos com os autores ou os tradutores, e fazem o mesmo com Filosofia e Teatro. Entre os que vieram havia várias especialistas em finanças, uma advogada, poucas professoras, uma matemática, uma engenheira física, uma jovem do marketing. Os livros de José Saramago que leram para preparar esta viagem foram “Ensaio sobre a Cegueira” e “Ensaio sobre a Lucidez”, depois de terem conhecido a nossa cidade através do livro “Comboio noturno para Lisboa” do suíço Pascal Mercier.

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