“De repente começou a abrir-se” – a conferência de José Saramago em Turim

“O auditório da Universidade de Turim já era um lugar familiar para José Saramago. Em 1991 o escritor português havia percorrido aqueles corredores e subido as mesmas escadas para que lhe entregassem o título de doutor honoris causa – a primeira de 38 condecorações do género que receberia durante a vida. Naquela tarde de maio de 1998, a plateia era composta porestudantes de literatura, professores e vátios amigos, a maioria literatos. De maneira que havia uma cumplicidade entre aquele que falava e os que ali estavam para escutá-lo. E provavelmente por conta disso o escritor fez algo que não era do seu costume: durante mais de uma hora, falou sobre literatura e, em especial, sobre a sua construção literária.”

Assim arranca o trabalho do jornalista Ricardo Nunes Viel acabado de publicar na revista Pernambuco sobre “A estátua e a pedra” que assim chega ao Brasil, antes de a edição brasileira ser lançada em agosto próximo.

O jornalista pergunta, numa entrevista a Pilar del Río incluída na mesma revista, “Por que foi tão especial essa conferência?”. Eis a resposta:

“José estava cómodo, rodeado de amigos, de pessoas conhecidas, e se desnudou. Obviamente que essa conferência foi revisada e anotada por ele depois (alguns meses antes de morrer) mas o essencial está no livro. José não sabia o que ia falar naquele dia, falaria de improviso e dependia do que havia sido dito antes, das conferências anteriores. Não levou anotações e de repente começou a se abrir”.

Pode ler todo o trabalho em: Pernambuco

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