“E agora?” – pergunta Mário Soares

A manifestação de sábado passado que envolveu quarenta cidades portuguesas e ainda alguns dos nossos emigrantes de França, de Inglaterra e de Espanha, teve como resposta o silêncio total do Governo e da Troika. Foi o melhor que fizeram. Ficaram escondidos e sem palavras. Tudo o que dissessem só agravaria a situação. Porque o “Povo é quem mais ordena”. E o Governo perdeu a legitimidade democrática, porque não tem sensibilidade quanto aos que sofrem e não ouve ninguém.

De resto, o Governo, raramente diz o que faz, nunca definiu uma estratégia clara para combater a crise e nunca se deu ao trabalho de explicar aos portugueses porque insiste na austeridade, que só nos conduziu à desgraça. É a palavra.

O Governo continua alegremente a roubar as pensões dos portugueses, que nunca pertenceram ao Estado, nem muito menos ao Governo, dado que anos a fio os portugueses descontaram para garantir o seu futuro e dos seus filhos. Não falando nos impostos, a aumentarem sempre, as vendas a retalho – como? E porquê? – do nosso património.

Que tem isto – e tantas outras pseudo-reformas – a ver com a Democracia? Claro que nada.

Por isso, este Governo não é legítimo nem democrata. Pelo contrário, está contra o Povo, é inimigo dos pobres, está a destruir a classe média, acha que as melhoras cabeças, saídas das nossas excelentes Universidades (que aliás o Governo está a pôr em dificuldades) devem emigrar.

É um Governo que está a destruir Portugal, ignorando a Democracia, visto que não dialoga nem ouve o Povo. Por isso se tornou ilegítimo. Só sai à rua, rodeado de seguranças. Dos militares aos médicos, dos sindicalistas aos professores, dos intelectuais aos mais pobres, todas as classes –  até os mais abonados – estão contra o Governo, com a única exceção dos “papagaios” que o servem e se servem.

O Governo tem de demitir-se. Esta é a boa oportunidade para o fazer, antes que o Tribunal Constitucional se pronuncie, os portugueses se enfureçam e a Democracia desapareça, porque os Partidos também estão todos a ser criticados. Porque se não for a bem – enquanto o “Povo é sereno” – será a mal, com o Povo indignado, como sucedeu no fim da Monarquia…

Mário Soares

(in jornal Público no dia 4 de março de 2013)

Foto: Tiago Miranda/Expresso


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