Evocação de Allende na Casa dos Bicos trouxe revelações sobre os dias do golpe

As últimas palavras de Salvador Allende foram transmitidas para todo o mundo com recurso a um sistema antiquado de comunicações instalado numa casa segura, como contou Mario Dujisin na sessão evocativa dos 40 anos da morte do presidente chileno que encheu o auditório da Fundação José Saramago no dia 11.

Ao lado de Dujisin, o historiador Fernando Rosas enquadrou a situação do Chile do início dos anos 1970 na realidade da América Latina da época – “o que verdadeiramente assustou a direita chilena e os Estados Unidos foi a possibilidade de a esquerda chegar ao poder através de eleições”.

O jornalista chileno radicado em Portugal relatou os últimos dias da democracia em Santiago do Chile, onde dirigia então o departamento de imprensa estrangeira do Palacio de La Moneda. Revelou que, face às movimentações militares e às informações de que um golpe se avizinhava, Salvador Allende decidiu lançar um plebiscito, que seria anunciado na rede nacional de rádio. “Mas Allende cometeu um erro fatal, pois informou Pinochet dessa intenção e assim se precipitaram os acontecimentos. Alertados por Pinochet, os militares putchistas anteciparam o golpe que preparavam para daí a uns dias.”

Com o Palácio de La Moneda já cercado, logo pela manhã do dia 11, nem Mario Dujisin nem o chefe da comunicação de Allende, Juan Ibañez, conseguiram juntar-se ao presidente. Foram então para uma casa segura onde dispunham de um sistema de comunicações antiquado mas com o qual conseguiram difundir as últimas palavras de Salvador Allende. Pouco depois, gravemente ferido, Allende suicidou-se.

Uma canção para Violeta Parra, cantada a capella por Luís Pastor, fechou esta sessão em que a emoção deu mais força e sentido à análise historica e à torrente de informações trazidas pelos dois convidados, cuja participação foi moderada por Silvia Donoso Hiriart.

 

“A queda de Allende contada por quem a viveu”, Expresso

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