Exposição: ‘Ensaio sobre a Cegueira’, pelo Teatro O Bando (retrospectiva)

Exposição: ‘Ensaio sobre a Cegueira’, pelo Teatro O Bando (retrospectiva)

A partir de quarta-feira, dia 6 de março, quem visitar a Fundação José Saramago terá a oportunidade de ver uma exposição retrospectiva da adaptação teatral de “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, pelo teatro O Bando. No dia da inauguração da mostra, pelas 18h, parte da equipa que participou na adaptação do romance estará reunida para uma conversa sobre a experiência.


(fotos: João Tuna/TNSJ)

Sobre a exposição

A ideia de realizar na Fundação José Saramago uma exposição retrospetiva da adaptação teatral do romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, pelo Teatro O Bando, que teve a sua estreia em 2004, partiu da vontade de partilhar com o público, e em especial com o público que visita a Fundação, todo o trabalho que foi desenvolvido por este coletivo.
A exposição resulta de um trabalho apurado de pesquisa e recolha de materiais, graças ao arquivo criado pelos produtores do Teatro O Bando, Natércia Campos e André Pato e ao próprio espólio existente na sede da companhia, em Palmela.
Damos a ver e ouvir todo o processo de trabalho, desde a sua conceptualização, criação, metodologias da companhia, processo de ensaios e carreira do espetáculo. Quisemos partilhar essa matéria invisível que permite fazer nascer um espetáculo teatral. Neste acervo podemos encontrar o texto adaptado utilizado pelos atores, projetos de cenografia e adereços, alguns dos figurinos (que na sua totalidade excediam os cinquenta), dois documentários, a banda sonora original, correspondência entre autor e encenador, críticas de imprensa, fotografias de cena, fotografias de ensaio que integraram a exposição Dez olhares sobre a Cegueira tiradas por pessoas com deficiência visual, programas de sala e elementos da cenografia original.
Esta retrospetiva não é apenas um olhar para o passado, é, muito pelo contrário, um celebrar da longevidade do coletivo O Bando que, apesar de todas as dificuldades que o tecido cultural português enfrenta, se mantém firme na sua programação.
Queremos prestar uma homenagem a todos aqueles que fizeram parte desta criação, mas sobretudo à Natércia Campos, ao Horácio Manuel (ator e cooperante d’ O Bando que desempenhou as personagens do Cego das contas e do Cão das lágrimas) e ao João Ricardo (que desempenhou a personagem do Médico). Para eles, que já não se encontram connosco, fica este nosso carinhoso abraço sob a forma de exposição.
Foi também com carinho que a Fundação José Saramago acolheu esta nossa ideia e que nos sugeriu que livremente “ocupássemos” o seu espaço durante um mês.
A exposição pode ser visitada de 6 a 30 de Março, de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 18h00. Paralelamente, existirá uma programação relacionada com o espetáculo.
Assim queremos com esta exposição e conversas desassossegar quem as visita. Hoje, e apesar de todos os direitos e deveres adquiridos, continuamos a viver numa “esquizofrenia coletiva”, para citar as palavras de José Saramago. Continuamos ou não a cometer sempre os mesmos erros sociais e humanos? Estamos ou não a permitir que a História se repita? Queremos continuar a viver numa cegueira programada? Porque temos tanto medo de olhar para o outro e ver no outro a diferença que há em nós?
Propomos que “olhem”, “ouçam” e “sintam” esta exposição como um retrato vivo de uma realidade que não será infelizmente assim tão ficcionada. Este é o retrato que não deveria ser o espelho de quem somos. Mas, se assim o é, peguemos nele, olhemo-lo de frente para que, em consciência, consigamos avançar na criação de um mundo transparente, mais justo, atento e plural.

Luís Godinho e Miguel Simões

 

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