Levantado do Chão: “o grande romance comunista do pós-guerra”

Levantado do Chão é “o grande romance comunista do pós-guerra”, defende Mitchell Abidor na revista quinzenal Jewish Currents. “O retrato das pessoas simples juntas na luta feito por Saramago serve hoje para lembrar que os comunistas não lutavam para criar gulags: eram pessoas corajosas que punham em risco as suas vidas para acabar com a exploração”.

Para o autor do artigo, Levantado do Chão “que conta a história da família Mau-Tempo desde a implantação da República Portuguesa em 1910 até às ocupações de terras após a Revolução dos Cravos em 1974, não é apenas um retrato brilhante do percurso de Portugal da monarquia até a revolução, é também o grande romance comunista do pós-guerra e dificilmente será ultrapassado. Se não tem a gravitas auto-consciente do clássico de André Malraux A Condição Humana, de 1933, narra com grande inteligência, estilo e compaixão o crescendo da consciência de classe dos camponeses pobres e o papel dos comunistas ao seu lado”.

E acrescenta: “Sem cerimónias, Saramago evidencia o heroísmo dos militantes do partido, os riscos que corriam ao transportar propaganda, colocando-a debaixo de pedras para que outros a encontrassem, a sua dignidade quando detidos, a camaradagem na prisão e a brutalidade da PIDE, a polícia política do regime de Salazar”.

[Raised from the Ground, Houghton Miflin Harcourt, 2012, 365 páginas]

 

Jewish Currents

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