Mês do Desassossego (18)

“Em 1989, antes da queda do muro de Berlim, estive no Cazaquistão (…) Fui convidado para casa de um poeta, com um intérprete. Entrámos na casa e a mulher do poeta (…) estava junto à porta para receber os convidados, dele, não dela. (…) Sentámo-nos e, de vez em quando, chegava mais comida da cozinha. Ao fim de bastante tempo, levantámo-nos todos e, quando íamos a sair, a mulher estava junto à porta para se despedir dos convidados do seu marido. Não se tinha sentado em nenhum momento connosco, estava na cozinha a trabalhar para os convidados do seu marido. Eu disse, bom, depois de 70 anos de revolução, a relação homem-mulher, marido-esposa, não mudou, e ainda que se trate de costumes e culturas, algo deveria ter mudado, se nada muda é que algo não está bem.”

ARIAS, Juan (1998) José Saramago: el amor posible

Barcelona: Planeta. Pág. 120-121  

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