Mês do Desassossego (23)

ARMAS
O negócio das armas, sujeito à legalidade mais ou menos flexível de cada país ou de simples e descarado contrabando, não está em crise. Quer dizer, a tão falada e sofrida crise que vem destroçando física e moralmente a população do planeta não toca a todos. Por toda a parte, aqui, além, os sem trabalho contam- -se por milhões, todos os dias milhares de empresas se declaram em falência e fecham as portas, mas não consta que um único operário de uma fábrica de arma- mento tenha sido despedido. Trabalhar numa fábrica de armas é um seguro de vida. Já sabemos que os exér- citos precisam de armar-se, substituir por armas novas e mais mortíferas (disso se trata) os antigos arsenais que fizeram a sua época mas já não satisfazem as necessi- dades da vida moderna. Parece portanto evidente que os governos dos países exportadores deveriam contro- lar severamente a produção e a comercialização das armas que fabricam. Simplesmente, uns não o fazem e outros olham para o lado.
in O Caderno 2, pág. 102

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