Mia Couto distinguido com o Prémio Neustadt: “um raio de sol neste momento triste”

Um júri de nove escritores escolheu o autor moçambicano Mia Couto para o prémio literário Neustadt 2014, patrocinado pela Universidade de Oklahoma (EUA), pela família Neustadt e pela revista World Literature Today, daquela universidade.

“Este prémio vem no momento perfeito, porque Moçambique está a travessar um tempo difícil. Para mim, pessoalmente, este prémio é certamente um consolo, um raio de sol, neste momento triste do país”, disse Mia Couto quando foi informado do prémio.

“Ele é um autor que interpela não apenas o seu país mas o mundo inteiro, todos os seres humanos”, declarou Gabriella Ghermandi, que faz parte do júri e que candidatou o nome de Mia Couto. E acrescentou: “Alguns críticos chamam a Mia Couto ‘o escritor contrabandista’, uma espécie de Robin dos Bosques das palavras que rouba significados para os abrir a todas as línguas, levando a que mundos aparentemente separados comuniquem. Nos seus romances, cada linha é como um pequeno poema.”

Na opinião do diretor executivo da World Literature Today, “Mia Couto tenta retirar da cultura o jugo do colonialismo, revigorando a sua linguagem. Um mestre da prosa em português, ele quer aliviar esse fardo de uma palavra, de uma frase e de uma narrativa de cada vez, e tem poucos ou nenhuns pares nessa tarefa.”

Traduzido em mais de 20 línguas, Mia Couto, 58 anos, é o primeiro escritor moçambicano galardoado com este prémio. Segundo o World Literature Today, o livro em que o júri se baseou foi “Terra Sonâmbula”, publicado em 1992, “considerado um dos melhores livros africanos do séc. XX”.

O Prémio Neustadt, uma doação da família Neustadt, é atribuído de dois em dois anos e é o único prémio literário internacional para o qual são elegíveis romancistas, dramaturgos e poetas. Apelidado de “Nobel Americano”, é considerado um dos prémios literários mais importantes do mundo e tem o valor de 50 mil dólares [37 mil euros]. O galardão é entregue desde 1970 e já distinguiu, entre outros, Gabriel García Márquez, João Cabral de Melo Neto, Álvaro Mutis e Octávio Paz. Na edição de 2012, foi premiado o indiano-canadiano Rohinton Mistry.

Mia Couto é o pseudónimo de António Emílio Leite Couto, de 58 anos, autor que já recebeu os prémios Camões, Eduardo Lourenço e o da União Latina de Literaturas Românicas.

“A Confissão da Leoa”, editado no ano passado é o seu mais recente livro.


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