Morreu Claudio Abbado

Nascido em Milão a 26 de Junho de 1933, Claudio Abbado foi durante anos director musical da Filarmónica de Berlim e do teatro La Scala, de Milão, e da Staatsoper de Viena.

Em Agosto do ano passado, tinha sido nomeado senador vitalício de Itália. Mas, em Dezembro, renunciou ao vencimento deste cargo doando-o para o financiamento de bolsas de estudo para jovens músicos – uma atenção que marcou toda a carreira do maestro.

Claudio Abbado viveu a última década condicionado pela doença, depois de no ano 2000 lhe ter sido diagnosticado um cancro no estômago. Mas só nos anos mais recentes é que se viu obrigado a refrear a sua actividade musical, tendo-se feito substituir na direcção da Orquestra Mozart, que ele próprio tinha fundado em Bolonha, e tendo mesmo cancelado alguns concertos previstos, no final de 2013.

Na sua extensa carreira, que teve a sua estreia no La Scala, na sua cidade natal, em 1960, Claudio Abbado passou duas vezes por Lisboa: em Maio de 1969, apresentou-se no Coliseu dos Recreios, no programa do 13º Festival Gulbenkian de Música; em Outubro de 1997, dirigiu no grande auditório da fundação, no ciclo Grandes Orquestras Mundiais, a Filarmónica de Berlim e o Coro Gulbenkian, na interpretação da 2.ª Sinfonia de Mahler.

Gravou também com a pianista Maria João Pires obras de Mozart e Schumann.

Depois de se ter estreado no La Scala, de que se tornou director artístico logo em 1968, com apenas 35 anos, a conquista, em 1963, do Prémio Mitropoulos deu-lhe acesso a um “estágio” de alguns meses na Filarmónica de Nova Iorque, como assistente de Leonard Bernstein.

Em paralelo com o La Scala, foi também, entre 1979-87, director musical da Sinfónica de Londres. E, em 1986, após o fim do mandato no teatro de Milão, assume a direcção da Ópera Estatal de Viena.

Em 1978, fundou e tornou-se director musical da Orquestra de Jovens da União Europeia, a que se seguiu a criação da Orquestra de Jovens Gustav Mahler (1986). Simultaneamente, ia sendo convidado para dirigir outras orquestras espalhadas pelo mundo, desde a Orquestra de Câmara da Europa à Orquestra Sinfónica Simón Bolívar da Venezuela.

Na biografia que traça de Claudio Abbado, a editora Deutsche Grammophon cita esta sua afirmação: “O termo ‘grande maestro’ não significa nada para mim. Grande é o compositor”.

De facto, na sua carreira, Abbado não distinguiu os compositores, nem cedeu ao elitismo que muitas vezes marca a cena musical e leva muitos músicos a maestros e seguirem apenas caminhos já pisados anteriormente.

A atenção aos jovens músicos, “às obras menos conhecidas e divulgadas de clássicos como Rossini, Schubert e mesmo Mahler”, como nota Vieira Nery, e aos compositores do século XX – Schönberg, Stockhausen, Luigi Nono, Bruno Maderna, Franco Donati… – são também uma marca da vida de Abbado, a quem a Deutsche Grammophon chama mesmo “um campeão da música contemporânea”.

Uma carreira que foi sendo elogiada e consagrada ao longo do tempo, com distinções como o Prémio Imperial do Japão, as Medalhas Mahler e Mozart (Viena), ou a mais alta distinção civil do governo alemão, o Bundesverdienstkreuz, ao lado de doutoramentos honoris causa em universidades de Ferrara, Cambridge, Aberdeen e Havana.

Inmortal Abbado
(El País)

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