Morreu Jérôme Savary, um “mau rapaz” genial

O encenador e ator Jérôme Savary, que levou à cena a ópera Blimunda, morreu ontem em consequência de um cancro, aos 70 anos, nos arredores de Paris.

“Jérôme Savary e José Saramago eram amigos”, recorda Pilar del Río: “Trabalharam juntos em Milão e em Lisboa, e mais tarde reencontraram-se no México. Partilharam pontos de vista, discordaram, e ambos se assombraram com o trabalho um do outro. ‘Blimunda é um murro no estômago’, disse Savary quando leu o Memorial do Convento e o libreto que Azio Corghi lhe apresentou uma tarde em Paris. Sendo um ‘mau rapaz’, Savary, com José Saramago, foi um aluno aplicado. O deslumbramento da encenação que Savary fez de Memorial do Convento está sintetizada na frase do compositor português Fernando Lopes Graça: “Mas como é possível tanta beleza?” Estava no teatro Alla Scala de Milão. Descansa em paz, Jérôme Savary. Um abraço aos seus amigos, começando por Azio Corghi, e a recordação, hoje mais do que nunca, de José Saramago e suas personagens que tanta arte e inspiração criam no mundo.”

Nascido em Buenos Aires em 1942, numa família francesa que ali se exilara, e e em 1964 passou a viver na Europa. Paris, onde se ligou ao movimento Panique de Topor, e Londres, onde fundou o Grand Magic Circus. Dirigiu o Nouveau Théâtre populaire de Montpellier e em 1987 tornou-se presidente do Centro Dramático de Lyon. 

O presidente francês, François Hollande, já recordou este “ser apaixonado, sempre desejoso de partir à copnquista do público” que mostrou que “a exigência cultural era compatível com um verdadeiro espetáculo cultural”. “Ele tinha o sentido do espetáculo e da festa”, era um encenador “extremamente original, cheio de invenções, de imaginação, um universo singular que fazia partilhar.”

No twitter, o presidente do Festival de Cannes, Gilles Jacob, escreveu apenas: “Morte de um príncipe do espetáculo, tristeza extrema: é urgente que um admirador se dedique a um dicionário amoroso de Jérôme Savary”.

(Fotografia da ag. Sipa)

 

 

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Público/Maria João Avillez

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