Morreu Stephane Hessel, um patriota do Humanismo

Inspirou o movimento dos Indignados, o único sobrevivente do grupo que em 1948 redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, e morreu na última noite em Paris. Stephane Hessel, 95 anos, era o autor do manifesto “Indignai-vos”, publicado em 2010, que vendeu 3,5 milhões de cópias em todo o mundo. Evadiu-se em 1944 de um campo de concentração nazi e gostava de dizer a propósito: “Lutei contra Hitler e fui eu que ganhei”. 

A Fundação José Saramago junta-se ao sentimento de pesar que no mundo inteiro esta morte está a provocar. Sem dúvida, Hessel era um dos seres indispensaveis que contribuiram para humanizar a nossa época. 

Quando em maio de 2011 esteve em Portugal a apresentar “Indignai-vos”, com prefácio de Mario Soares, deu uma entrevista à agência Lus que aqui transcrevemos, seguida de uma outra dada à agência Efe em outubro do mesmo ano. Indicamos também ligações com as notícias divulgadas esta manhã em vários países.

Nascido a 20 de outubro de 1917 em Berlim, numa familia judia converitda ao luteranismo, foi para França em 1925. A mãe, Helen Grund, foi o modelo de Catherine em “Jules et Jim”, a história de uma mulher amada por dois homens que François Truffaut transformou em filmea a partir do livro de Henri-Oierre Roché. O pai traduziu Proust em alemão com o filósofo Walter Benjamin.

 

 

Lisboa, 07 mai 2011 (Lusa) – “Se fosse português, indignava-me com a maneira como Portugal está a ser tratado pela União Europeia”, disse à Lusa o ex-diplomata Stéphane Hessel, autor do best-seller “Indignai-vos”, que critica o papel de Durão Barroso.

Em Lisboa para o lançamento do pequeno livro, prefaciado em Portugal pelo ex-presidente da República Mário Soares, Hessel, 93 anos, mostrou-se preocupado com o rumo que a União Europeia segue, em particular sobre a atitude assumida perante a crise portuguesa.

“Quando um país como Portugal, membro da União Europeia, precisa de ser ajudado numa fase da sua  história económica, sou muito severo com a forma como a União Europeia de descartou de uma parte das suas responsabilidades para o Fundo Monetário Internacional e que faça os empréstimos necessários mas exija pagamentos excessivos” – declarou .

Este é “um mau exemplo de solidariedade entre estados europeus”, na opinião de Hessel.

“Sou severo com a União, tanto mais que a considero absolutamente essencial”, disse o homem que sobreviveu aos campos de concentração nazis e que participou na escrita da Declaração Universal dos Direitos do Homem, em 1948.

Para o antigo embaixador de França nas Nações Unidas, “o nosso futuro de europeus passa pelo reforço da União, uma União com uma verdadeira política estrangeira, não apenas a senhora Ashton mas uma verdadeira política estrangeira e, sobretudo, uma grande política económica e ecológica. Neste momento, isso não está adquirido.”

Afirmando-se “inquieto” com “a prevalência das forças neo-liberais, económicas, que exigem que o estado não tenha demasiado poder e que as forças financeiras e económicas imponham a sua vontade aos estados”, Hessel defende um “Estado que domina as forças económicas e que coloque a economia ao serviço do povo”.

Mas sublinha a propósito: “Não é isso que acontece atualmente e lamento dizer que a eminente personalidade portuguesa que dirige atualmente a Comissão da União Europeia, Durão Barroso, não conduz o combate que devia ser feito pela União Europeia para obter mais liberdade perante as forças financeiras e económicas do mundo”.

Stéphane Hessel nasceu em Berlim em 1917, mas cedo foi viver para França com a família, tendo obtido a nacionalidade francesa. A origem judaica obrigou-o a abandonar o país aquando da ocupação nazi, para se juntar à Resistência liderada por De Gaulle em Inglaterra.

Em 1944, foi preso em território francês e enviado para campos de concentração nazis, de onde conseguiu evadir-se. Após o fim da guerra, iniciou uma longa carreira diplomática e representou a França junto das Nações Unidas.

Em 2010, publicou em França o pequeno livro “Indignai-vos”, cujas edições francesas já atingiram os dois milhões e que está já traduzido em 25 países.

 

Madrid, 04 out 2011 (Lusa) – A ecologia, o terrorismo e o fosso entre os muito ricos e os muito pobres são os três desafios que a Humanidade enfrentará nas próximas décadas, afirmou o ex-diplomata Stéphane Hessel em entrevista à agência Efe.

A propósito da publicação em Espanha da autobiografia “Danse avec le siécle”, editada originalmente em 1997, Stéphane Hessel, atualmente com 93 anos, falou dos desafios da Humanidade para os próximos tempos e reforçou o apelo para que os cidadãos se empenhem numa mudança.

“Nunca devem desanimar”, apelou.

Stéphane Hessel nasceu em Berlim em 1917, mas cedo foi viver para França com a família, tendo obtido a nacionalidade francesa. A origem judaica obrigou-o a abandonar o país aquando da ocupação nazi, para se juntar à Resistência liderada por De Gaulle em Inglaterra.

Em 1944, foi preso em território francês e enviado para campos de concentração nazis, de onde conseguiu evadir-se. Após o fim da guerra, iniciou uma longa carreira diplomática e representou a França junto das Nações Unidas.

Stéphane Hessel é o único redator ainda vivo da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948.

Em 2010 publicou o pequeno manifesto “Indignai-vos”, um sucesso de vendas traduzido para 25 países, incluindo Portugal. Só em França, o livro vendeu mais de dois milhões de exemplares.

A autobiografia que publicou em 1997 foi agora editada no mercado espanhol e a esse propósito recordou a longa vida à agência Efe.

“O mundo é menos injusto hoje do que quando eu era jovem, mas ainda continua injusto”, lamentou.

Quase a completar 94 anos, Stéphane Hessel recordou os tempos em que foi enviado para os campos de concentração, onde assistiu “ao horror absoluto”, e o dia em que, no 27.º aniversário, escapou à forca trocando de identidade com um homem que tinha morrido de tifo.

A tábua de salvação terá sido o optimismo, a alegria de viver e a poesia, que pode recitar “aos camaradas em alemão, inglês e francês”.

Tanto nos campos de concentração como nas fileiras da Resistência, Stéphane Hessel orgulha-se de dizer hoje: “Lutei contra Hitler e fui eu que ganhei”.

Aos 93 anos, Stéphane Hessel desvaloriza o facto de estar indicado para o Nobel da Paz e diz-se sossegado perante a morte, porque é alguém que aproveitou bem a vida e foi muito feliz.

 

Público

La Reppublica

Le Nouvel Observateur

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El Pais

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